Home Portal Notícias Manchetes Gleisi e sindicalistas da América Latina debatem avanço da extrema direita

Gleisi e sindicalistas da América Latina debatem avanço da extrema direita

8 min read
0

A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, deputada Gleisi Hoffmann (PR), se reuniu na manhã desta sexta-feira (15) com sindicalistas da América Latina para debater estratégias contra a restrição dos espaços democráticos no Brasil e em toda o Continente, além dos perigos do avanço das políticas antipovo na vida da população latino-americana.

Os convidados falaram sobre a ascensão de políticos de extrema direita, os riscos à democracia e a perda da soberania dos países. Outro ponto bastante comentado foi a política entreguista e as reformas propostas por Jair Bolsonaro (PSL).  “Tem gente que é eleita para governar e tem gente que é eleita para destruir. Esses foram eleitos para destruir”, comparou Gleisi.

O encontro ocorreu na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores Financeiros (Contraf-CUT), em São Paulo, e foi organizada pela UNI Américas, braço continental da UNI Sindicato Global. Participaram da mesa o presidente da UNI Américas, Héctor Daer, o secretário-regional da UNI Américas, Marcio Monzane, a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, e o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah. A plateia contou com centrais de vários setores de uma dezena de estados brasileiros.

A presidenta do PT apresentou um panorama histórico do Brasil, falou sobre os avanços democráticos, sobre a reparação histórica com a população negra e sobre a Constituição de 1988. Gleisi também fez questão de destacar as diferenças dos governos petistas para os retrocessos que vemos tanto com Michel Temer quanto com Bolsonaro, além de criticar a desastrosa proposta para as aposentadorias.

“A Reforma da Previdência não é necessária. É mentira. E essa reforma é assassina além de tudo, é para não deixar viver”. A presidenta lembrou, inclusive, do modelo adotado no Chile, que tem aumentado o número de suicídios entre idosos no País e fez com que 80% dos aposentados receba abaixo da linha da pobreza. “O nosso papel é fazer com que eles aprovem o mínimo possível para que a gente possa reverter depois num outro projeto de País”, apontou Gleisi.

O argentino Héctor Daer descreveu um panorama da situação política na América Latina. “Nosso continente não é o mais pobre, mas é o mais desigual”. Ele pede ainda o fortalecimento das centrais sindicais e acredita que a política é a saída para o combate às práticas antidemocráticas e presta sua solidariedade ao ex-presidente Lula.

O sindicalista falou ainda sobre a perda da soberania nacional tanto no Brasil quanto na Argentina. “Antes de Bolsonaro, antes de Temer e antes de Macri, Brasil e Argentina eram países que mostravam solidariedade e hoje não são mais assim.”

Preocupação com o Brasil

A UNI Américas mantinha o olhar atento em três países da América Latina até o ano passado: a Colômbia, pela violência; o Peru, pelos desmandos do governo de Alberto Fujimori; e o Chile, pelas políticas neoliberais e antipovo de Sebastián Piñera. O Brasil, depois das práticas antidemocráticas, escândalos de fake news e possíveis ligações de milicianos com a família Bolsonaro, ganhou uma atenção especial do sindicato mundial.

“A partir do Bolsonaro nós vemos um ataque muito grande não só ao movimento social e sindical, mas ao espaço democrático. Hoje não se pode falar no Brasil. Um militante de esquerda, um representante social, um representante que defende minorias quando fala normalmente a resposta é criminalizá-lo”, diz Marcio Monzane.

Ricardo Patah conclamou pela unidade na resistência aos desmandos antidemocráticos. “Não existe um salvador, uma pessoa ou uma entidade que vai resolver sozinha a questão que envolve milhões de trabalhadores. Ou nós estamos juntos — de forma humilde, modesta, mas com garra e determinação — ou realmente vai piorar cada vez mais esta situação”.

A luta é nas ruas

Juvandia Moreira criticou os ataques do governo Bolsonaro aos movimentos sociais. “Eles estão tentando asfixiar, perseguir os movimentos sociais e colocando alvos no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e agora estão tentando acabar de vez com o movimento sindical.”

E fez um apelo. “Os militantes do Brasil inteiro têm que ir para as ruas e conversar com a população, porque nós temos que derrotar este governo já na largada”, orientou.

Agência PT de Notícias

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

PT exige que Bolsonaro devolva dinheiro gasto com viagem turística aos EUA e pede investigação do TCU

A Bancada do PT na Câmara protocolou hoje (17) representação no Tribunal de Contas da Uniã…