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Benedita diz que vitória da Mangueira simboliza luta do povo brasileiro

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Veja o artigo de Benedita da Silva (PT-RJ), publicado originalmente no Portal Brasil 247:

 

“Liberdade é um dragão no mar de Aracati”, se conquista com luta!

 

A merecida vitória da Mangueira fecha o Carnaval de 2019 levando para a avenida a “História para ninar gente grande”, samba enredo que jamais será esquecido. Mangueira campeã é a vitória de Marielle Franco, a vitória simbólica da luta sofrida e heroica do povo brasileiro.

O que o enredo da Mangueira mostrou, tecido de maneira magistral como fina renda que deixa à mostra a pele negra da nossa história, foi a trajetória de luta do povo por liberdade, independência e democracia que o ensino oficial sempre escondeu e a “Escola sem Partido” de Bolsonaro quer impedir que as gerações atuais conheçam para não seguir o seu exemplo.

Cantando a “história que a história oficial não conta”, a Mangueira recriou na Avenida o ministério da Cultura desmontado pelo retrocesso que destrói o Brasil e mostra o “avesso do mesmo lugar”, o país do “cativeiro social” que resiste nas favelas e periferias e conta as suas tradições de luta na Avenida.

Carnaval é cultura popular que se recria a cada ano. É a legítima homenagem aos autênticos destaques do povo, do passado e do presente, como o ator Pitanga, o “negro em movimento” do enredo da Porto da Pedra, de São Gonçalo. Carnaval é mostrar de forma criativa a resistência do “índio, negro e pobre” que, com o seu trabalho escravo ou explorado, construíram o Brasil de todos os tempos. Essa é a verdadeira divisa de nossa bandeira, sufocada pela ordem e o progresso que sangram, reprimem e excluem socialmente o povo brasileiro.

Mas se a Mangueira fechou o Carnaval elevando a autoestima de nosso povo, a Paraíso do Tuiuti deu a senha para que, depois do carnaval da resistência democrática, esse mesmo povo continue a se mobilizar nas ruas contra o fim de sua aposentadoria, pelo resgate de seus direitos sociais e trabalhistas, por liberdade e por Lula Livre, a metáfora do bode Ioiô que determinados veículos da chamada grande mídia optaram por não “entender”.

“Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado. Eu quero um país que não está no retrato”, diz a história do povo brasileiro por intermédio da poesia da Mangueira. Os verdadeiros heróis do povo ou foram mortos ou presos pelos carrascos das elites dominantes. Mataram Zumbi, esquartejaram Tiradentes, suicidaram Getúlio, assassinaram Jango e agora prenderam Lula. Quantos não tiveram orgulho de vê-lo muito sofrido, mas altivo como um verdadeiro líder no enterro de seu querido neto? Sem poder falar e cercado por policiais armados até os dentes, aquele senhor de 73 anos, mesmo em silêncio, fez tremer os poderosos com seus retratos emoldurados e mãos sujas de sangue.

O Carnaval de 2019 ficará na história como o carnaval da resistência, em que a maioria dos blocos desfilou em todo o país como manifestações políticas espontâneas contra o fascista Bolsonaro e gritando em uníssono, Lula Livre! Sim, a liberdade de Lula é a condição fundamental da volta do pleno Estado democrático de direito.

Ao contrário do minúsculo tamanho de como Bolsonaro saiu desse Carnaval, respondendo aos ataques dos blocos com um inacreditável Twitter pornô, Lula saiu desse período como um gigante maior do que já é: os blocos fundiram o seu profundo sofrimento com a cultura do carnaval, manifestando-se respeitosamente em todo o país por Lula Livre. Foi como se milhões de cidadãos e cidadãs, temporariamente na condição de foliões, reconhecessem que Lula é o único líder capaz de pacificar o país, dispersar as sombras do fascismo e trazer a democracia de volta ao Brasil. O fundamental nesse momento de crise nacional é “ninguém soltar a mão de ninguém”.

Benedita da Silva é deputada federal (PT-RJ)

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