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Candidata do PSL diz que ministro de Bolsonaro a chamou para ser laranja

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O atual ministro do turismo do governo Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, do PSL, mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, foi denunciado ao Tribunal Regional de Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) por desvio de dinheiro e por propor uma candidatura ‘laranja’ para cumprir a cota de mulheres nas eleições do ano passado.

A denúncia que cai como uma bomba no primeiro escalão do governo de extrema direita de Bolsonaro foi feita por Zuleide Aparecida de Oliveira, em setembro de 2018, segundo reportagem de Folha de S.Paulo, desta quinta-feira (7).

Zuleide contou que foi aliciada por Marcelo Álvaro Antônio para ser candidata pelo PSL com o compromisso de devolver para o partido uma parte do dinheiro do fundo eleitoral.

O acordo ilegal teria sido feito no mês de setembro dentro do gabinete do deputado Marcelo Álvaro, na época presidente do partido no Estado, e presenciada pelo seu assessor Jandir Viera. O marido da denunciante e um amigo também estavam presentes.

A suposta candidata laranja afirmou também que não sabe quanto de dinheiro foi desviado porque o controle das contas bancárias ficou com a direção do partido.

“Fui usada, a minha candidatura foi usada para lavar dinheiro do partido”, disse Zuleide à Folha.

As denúncias de corrupção envolvendo os dirigentes do partido do presidente Jair Bolsonaro não param de aumentar. O escândalo, cada vez mais próximo do presidente, coloca em xeque o discurso de ética e combate à corrupção bradado pelo presidente e seus correligionários durante o pleito eleitoral.

 

Laranjal

As primeiras denúncias de esquemas de laranja do governo Bolsonaro ocorreram em Minas Gerais e envolvem o próprio Marcelo Álvaro Antônio. Na época, ele era presidente do PSL no estado e tinha o poder de decisão sobre quais candidaturas seriam lançadas.

De acordo com as denúncias do jornal paulistano, Álvaro Antônio está envolvido em um esquema que implica quatro candidaturas laranjas em Minas Gerais. Uma delas é a da Zuleide.

As candidatas receberam R$ 279 mil da verba pública que deveria ser utilizada na campanha da legenda. Cerca de R$ 85 mil foram destinados a quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje Ministro do Turismo.

Ainda segundo o jornal, não há indícios da realização de campanha efetiva das candidatas durante a eleição, que, juntas, alcançaram cerca de dois mil votos, apesar de estarem entre as 20 candidatas que mais receberam dinheiro do partido no país inteiro.

Em depoimento prestado ao Ministério Público, em 18 de dezembro, a candidata a deputada estadual pelo PSL em Minas Gerais, Cleuzenir Barbosa, disse que foi coagida por dois assessores de Marcelo Álvaro Antônio a devolver R$ 50 mil dos R$ 60 mil que havia recebido da legenda.

Frente à denúncia, Álvaro Antônio disse que as acusações foram feitas “com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido”.

Uma segunda denúncia foi feita pela Folha, no dia 10 de fevereiro. Luciano Bivar, recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, teria criado uma candidata laranja em Pernambuco. De acordo com o jornal, o partido de Bolsonaro repassou R$ 400 mil do fundo partidário no dia 3 de outubro, a apenas quatro dias antes da eleição.

Maria de Lourdes Paixão foi a terceira candidata que mais recebeu dinheiro do partido no país e se candidatou de última hora para preencher a vaga remanescente de cota feminina.

De acordo com a candidata, 95% do dinheiro foi gasto em uma única gráfica, destinado à impressão de 9 milhões de santinhos e 1,7 milhão de adesivos. Cada um dos quatro panfleteiros, que ela diz ter contratado, deveria ter distribuído cerca de 750 mil santinhos por dia.

O também presidente do PSL, Luciano Bivar, nega que a candidata tenha sido laranja. Ele argumenta que a decisão de repassar R$ 400 mil foi da direção nacional do partido, na época presidida por Gustavo Bebianno, hoje secretário-geral da Presidência da República. Seguindo no jogo de “empurra”, Bebiano, por sua vez, alegou que as decisões dos repasses são das direções estaduais.

À época, Bebianno era o presidente nacional do PSL e coordenou a campanha de Jair Bolsonaro. Ele era responsável formal por autorizar repasses dos fundos partidários e eleitoral a candidatos da legenda.

Segundo apuração da Folha, ele liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada. Bebianno nega ter envolvimento com candidaturas laranjas do PSL.

 

Por Brasil de Fato

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