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Ações e retrocessos do governo Bolsonaro passam a ser monitorados pelo Observatório da Democracia

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A esquerda brasileira conta a partir desta quinta-feira (31) com um importante instrumento de avaliação e fiscalização das ações do governo Bolsonaro. Seis fundações partidárias ligadas ao PT, PCdoB, PDT, PSB, PSOL e Pros lançaram hoje o Observatório da Democracia. Um grupo de estudo inédito e construído coletivamente com o objetivo de entender o governo e as consequências das políticas que estão sendo executadas. Será um instrumento de resistência a retrocessos e retirada de direitos e também de formulação de projetos para o País. Os conteúdos e estudos estarão disponíveis no site: www.observatoriodademocracia.org.br.

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, participou do lançamento do Observatório e destacou a importância do instrumento para a defesa da democracia. “A resistência agrega os parlamentares e movimentos sociais. A luta vai nos fortalecer”, afirmou. Ela enfatizou que quando se tem crises econômicas, muitas vezes a saída é o autoritarismo. “E a agenda que esse governo quer implantar não é possível na democracia formal. Estamos vivendo uma transição de regime político”, alertou.

Gleisi relembrou que até 2003 e 2004 a fome era naturalizada no Brasil. “Não existia política pública de redução da desigualdade, não se falava em bem-estar social. O que conquistamos nos governos do PT ainda foi pouco, mas foi muito grande diante do que tínhamos. Mas nem isso as elites brasileiras aguentaram e interviram. Eleição de Bolsonaro é consequência de um golpe. Naquele momento em que a presidenta Dilma Rousseff foi destituída do poder rasgou-se a Constituição e desequilibrou as instituições”, criticou.

Em uma breve avaliação do governo Bolsonaro, a presidenta do PT citou o plano de privatizações, que só livrará a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica e criticou a política externa que afronta a soberania nacional. “É muito grave o que estamos vivendo com corte de programas sociais como o Bolsa Família, com os ataques à educação, com a tentativa de desmonte do Mercosul e com o risco de guerra no continente latino-americano”, citou.

Gleisi defende a unidade da esquerda e lembrou que nesse campo existe mais convergência do que divergência. “Vamos ter que fazer a disputa sem perder o rumo de onde queremos chegar. As coisas não serão fáceis”, reconheceu a presidenta do PT, dando como exemplo o constrangimento que o ex-presidente Lula enfrentou na quarta-feira (30) sem ter o direito de velar e enterrar o seu irmão.

“Não podemos ceder um milímetro e temos de lutar. Já fomos poucos, já ousamos enfrentar uma ditadura. Muitos homens, mulheres, LGBT, índios, negros morreram e, por isso, chegamos até aqui. Que esse Observatório possa ser um instrumento para congregar outros observatórios existentes, nossa resistência parlamentar, os movimentos sociais e nos tornemos resistentes na luta”, conclui.

Eleição catastrófica

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) representou as mulheres no evento e enfatizou que a batalha é grande. “Houve uma eleição catastrófica e esse trabalho das fundações vai ser importantes para fortalecer partidos, instrumentalizar a sociedade com as informações necessárias, com mecanismo sofisticado e atualizado”, analisou.

Na avaliação da parlamentar, o Brasil vive um dos piores momentos da sua história. “O observatório, com estudo e fiscalização, nos oferecerá uma oportunidade de resgatar a democracia. Tivemos coragem e determinação para unificar as nossas ideias”, frisa.

Esforço coletivo

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann (PT), enfatizou que o observatório é o início de uma grande resistência democrática desse País. Ele explicou que já existem cinco eixos temáticos em estudos: soberania nacional; infraestrutura econômicas e sociais; produção e inovação; dimensão social; e dimensão ambiental que acompanharam as ações do governo e apresentaram pareceres e relatórios mensais e trimestrais.

“O observatório é um esforço coletivo para tornar mais clara a nossa realidade. É uma parceria das fundações com os partidos políticos, mas esperamos parcerias com as universidades, com o meio acadêmico e com a própria sociedade civil organizada porque o momento exige uma reflexão mais ampla”, afirmou Pochmann.

Vânia Rodrigues

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