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Os números provam: liberar armas vai agravar ainda mais a violência

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Um dia antes de Jair Bolsonaro assinar decreto que facilita a posse de armas no Brasil, o teólogo Leonardo Boff definiu com precisão o que representa a medida adotada pelo governo autoritário. “Arma é para ferir ou matar. É essa a ética de um Governo? Isso é corromper a mente dos brasileiros. Há assassinatos demais, agora estimulados”, publicou o pensador em sua conta no Twitter na terça-feira (14).

A opinião do intelectual não é meramente ideológica já que, para confirmá-la, basta avaliar alguns dos muitos estudos publicados sobre crimes cometidos com armas de fogo no Brasil – cujos dados foram sumariamente ignorados pelo mandatário do Executivo. Tais estatísticas, por si só, já serviriam para frear qualquer avanço no sentido de permitir que o suposto recurso de defesa aumente sua circulação no País.

Além dos números desfavoráveis, Bolsonaro também negligenciou (mais uma vez) o que pensa e deseja o próprio povo brasileiro:  61% da população não querem a liberação de armas, de acordo com pesquisa Datafolha. Por que, então, o presidente insiste em dizer que ter uma arma em casa diminuirá a violência? Basicamente porque propaga mentiras, algumas delas desmascaradas a seguir.

 

Confira:

 

“População é a favor da liberação de armas”

MENTIRA: Pesquisa recente publicada pelo Datafolha revela que a maioria da população ainda apoia a proibição de posse de armas no país.  O apoio à proibição é mais alto entre as mulheres do que entre os homens (71% a 51%), entre os mais pobres do que entre os mais ricos (66% a 43%). Em outubro de 2018, em plena campanha eleitoral, 55% dos entrevistados se mostravam contrários. Portanto, em cerca de três meses aumentou ainda mais o número de pessoas que se mostram contrárias ao decreto assinado nesta terça (15).

 

“Mulheres estarão mais protegidas com armas”

MENTIRA: Somente nos 13 primeiros dias do ano de 2019 foram registrados, em média, mais de cinco casos de feminicídio diários, entre consumados e tentativas, com um total de 67 registros. Os dados são de levantamento feito pelo pesquisador e doutor em Direito Internacional pela USP, Jefferson Nascimento.

Paralelo aos dados levantados pelo acadêmico, o próprio Mapa da Violência, cuja última edição foi divulgada em 2016, refuta a tese usada para liberar armas:  4.645 mulheres foram assassinadas no país naquele ano, metade delas vítimas de armas de fogo.

 

“Estatuto do desarmamento não freou violência”

MENTIRA: Dados do Ministério da Saúde mostram que o ritmo de crescimento de assassinatos no país desacelerou depois que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, em 2004. Entre 1996, primeiro ano da série histórica do Datasus, sistema de dados sobre saúde, e 2003, ano em que foi publicado o Estatuto do Desarmamento, a média de crescimento anual da taxa de mortes por agressão (que leva em conta o tamanho da população) foi de 2,22% ao ano. De 2004 em diante, após a restrição do acesso às armas, a média de crescimento anual foi para 0,29% —uma queda de 87%, portanto.

 

“Porte de arma diminuirá assassinatos”

MENTIRA: Os dados do Ministério da Saúde mostram que 71% dos assassinatos no país são cometidos com armas de fogo. Isso porque, segundo pesquisadores apontam, ocorreu uma “verdadeira corrida armamentista” no país a partir dos anos 1980. O processo só foi interrompido em 2003, com o Estatuto do Desarmamento. Ainda assim, as mortes com armas de fogo no Brasil o coloca no topo do ranking mundial de mortalidade segundo levantamento publicado pelo Global Burden Disease, órgão da Organização Mundial da Saúde que pesquisa as causas de morte pelo mundo.

 

“Tirar armas da população não salvou vidas”

MENTIRA: O Estatuto do Desarmamento, menosprezado por Jair Bolsonaro desde os tempos em que era deputado, evitou quase 134 mil mortes entre 2004, quando entrou em vigor, e 2014, aponta um levantamento inédito.  De acordo com o “Mapa da Violência 2016 – Homicídios por armas de fogo no Brasil”, a lei em vigor foi responsável por estancar o ritmo de crescimento desse tipo de crime no país.

 

Agência PT de Notícias

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