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Bolsonaro aprofundará crise econômica e social, e PT será a resistência, afirma Zarattini

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O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) usou a tribuna da Câmara nesta terça-feira (27) para anunciar a resistência do partido ao governo Bolsonaro, uma gestão que na sua avaliação, não será apenas a continuação do governo Temer. “Será o aprofundamento dessa visão política que faz o nosso País voltar para trás, recuar naquilo que nós conquistamos”. E reforçou: “Esse governo encontrará a nossa resistência. Vamos defender o povo. Esse é o nosso objetivo e será o do nosso mandato nos próximos 4 anos. Não vamos nos calar perante nenhum autoritarismo. Vamos continuar batalhando em defesa do Brasil e do povo brasileiro”.

Zarattini garantiu também a continuidade da luta em defensa da democracia. “Vamos lutar pela liberdade de Lula, lutar contra a perseguição ao PT, lutar pelas liberdades”. Ele destacou que do governo também participa a cúpula da operação Lava Jato, que quer prosseguir na sua intenção de fazer perseguição política a Lula e ao PT, “porque eles sabem muito bem que a maior oposição que pode surgir é a sobrevivência do PT, é sua influência sobre o povo brasileiro, é sua mobilização junto com o povo brasileiro”.

Por isso, continuou o deputado, é que fazem sucessivas condenações a Lula, “para tentar deixá-lo na cadeia pelo resto da vida”. “E vão tentar, não temos dúvidas, impedir o funcionamento do PT, porque, para eles, o PT é um estorvo que não pode sobreviver, porque, com certeza, é a resistência a este governo”, reforçou.

Carlos Zarattini enumerou os grandes retrocessos que terão continuidade no governo Bolsonaro: retirada de direitos do povo, entrega da nossa riqueza do petróleo e do pré-sal – através da mudança do marco regulatório do petróleo, que permite a entrada das multinacionais na exploração do pré-sal -; congelamento de investimentos públicos (Emenda Constitucional 95), que faz com que faltem recursos para a saúde e para a educação, entre outros.

“O governo Temer foi um governo que tem como resultado o aumento da pobreza extrema em 11%, chegando a 15 milhões de pessoas. Os rendimentos dos 10% mais ricos aumentaram 6%, enquanto a renda dos 50% mais pobres caiu 3,5%. É um governo que vem levando à concentração de renda e ao aumento do poder do capital financeiro”, afirmou. Zarattini destacou ainda que, neste ano, os 5 bancos que controlam o sistema financeiro nacional vão ter um lucro de mais de R$ 18 bilhões. “Um lucro astronômico que não para de crescer e que concentra a renda na mão daqueles que atuam junto ao capital financeiro”, completou.

Carteira verde e amarela – O deputado Zarattini alertou que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, quer destruir os pilares que garantiram o desenvolvimento no Brasil. Em primeiro lugar, explicou, uma legislação trabalhista que protege o trabalhador minimamente da superexploração capitalista; uma reforma trabalhista que ele quer continuar, quer acentuar, ao retirar os direitos negociados e implantar uma tal de carteira verde-amarela cujo objetivo é garantir ao trabalhador unicamente o seu salário. “Isso significa acabar com tudo aquilo que o trabalhador desde o pós-guerra conquistou em termos de direitos”, protestou.

Bolsonaro, afirmou Zarattini, quer destruir também um outro pilar do nosso desenvolvimento, que é a legislação previdenciária que garante a proteção aos deficientes e aos idosos em nosso País. “Querem mudar essa legislação que impede que os mais fracos socialmente caiam na miséria ou morram de fome! Querem acabar com o direito de o brasileiro se aposentar!”, lamentou.

Um terceiro pilar que Bolsonaro quer destruir, segundo o deputado, é a rede de empresas estatais que garante o desenvolvimento nacional e a nossa soberania. “Em boa parte Temer já executou esse programa, principalmente ao reduzir o papel do BNDES”, enfatizou.

Petrobras – Da mesma forma na Petrobras, Zarattini criticou a intenção de vender a BR Distribuidora, as refinarias. “Ora, acabar com as refinarias da Petrobras, entregá-las ao capital estrangeiro significa interromper o desenvolvimento de um país como o Brasil e, além disso, fazer com que a empresa não tenha condições de sobrevivência, porque eles querem exatamente tomar os campos de petróleo de pré-sal da Petrobras para as empresas multinacionais”, criticou e assegurou que esse crime de lesa-pátria vai encontrar aqui, permanentemente, “a nossa oposição”.

Zarattini afirmou que Bolsonaro quer acabar também com o quarto pilar do nosso desenvolvimento, que é o ordenamento, a partir da Constituição de 1988, que garantiu a liberdade de opinião, a liberdade de reunião e de associação, a liberdade de imprensa. “Não é outro o objetivo de projetos como esse Escola sem Partido que cercear a liberdade de opinião dentro das escolas e das universidades, porque o que eles querem é exatamente retroagir aos tempos de censura em nosso País”.

Hiperinflação – O deputado lamentou ainda que, com Bolsonaro, os chamados ‘Chicago oldies’ – que são os antigos Chicago boys – estarão de volta. “Estarão no comando da nossa economia os Chicago boys, aqueles que na ditadura militar, junto com Delfim Neto, operavam a economia brasileira e levaram o Brasil ao desastre de hiperinflação”. Na avaliação de Zarattini, eles querem aplicar no Brasil uma política extremamente liberal, que vai reduzir as condições de sobrevivência do povo brasileiro.

Eleições – Carlos Zarattini fez ainda um balanço das últimas eleições e destacou que o PT, mesmo com toda a perseguição e com um novo padrão de campanha estabelecido neste pleito, conseguiu manter os seus espaços. Elegeu a maior bancada na Câmara, com 56 deputados, garantiu a eleição de 4 governadores de estado e recebeu 30 milhões de votos no primeiro turno, e 47 milhões de votos no segundo turno. “Isso firmou o PT como o principal partido de oposição em nosso País, um partido com grande enraizamento no povo brasileiro, com ligações importantes no movimento social, no movimento sindical, na intelectualidade de nosso País”, concluiu.

Vânia Rodrigues

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