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Petróleo é estratégico e seu controle deve ficar com Estado, diz Gabrielli

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O ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli defendeu o controle do petróleo pelo Estado e o conteúdo nacional durante sua participação no seminário “Debates do Brasil: os caminhos do futuro do óleo e gás”, nesta quarta-feira (12). Ele ressaltou o quanto o petróleo é estratégico para todas as nações que o produzem e citou que das reservas conhecidas, 9 em 10 estão sob controle dos Estados.

“A abertura para o mercado não significa necessariamente um dinamismo maior para exploração de petróleo. Este não é o caminho que o mundo ensina”, afirmou.

Gabrielli falou também sobre a mudança de opinião de muitos a respeito do pré-sal. “O pré-sal era visto como uma ficção, algo inviável economicamente, uma invenção política. Hoje reconhecem a importância da sua produtividade”, disse ele.

Promovido pelo jornal Valor Econômico, com patrocínio Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), o seminário contou com dois painéis. O primeiro, “Transição Energética – Uma Janela de Oportunidades para o Brasil”, foi apresentado por Clarissa Lins, da empresa Catavento Consultoria e diretora IBP, e Suzana Kahn Ribeiro, professora da UFRJ. O segundo, “Setor de Óleo e Gás no Brasil, Impactos na Economia”, com Décio Odone, diretor geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e José Firmo, presidente do IBP.

Sobre a transição energética, Gabrielli explicou que o problema central está no uso de recursos naturais em geral, incluindo água e terra. Ele defendeu a expansão de energias renováveis, tipo eólica e solar. “E, sem dúvida nenhuma, os biocombustíveis são fundamentais nesse processo. Acreditamos que a taxa de crescimento dessas fontes será maior do que as energias fósseis. Porém, o volume absoluto de geração energética a partir dessas fontes renováveis, por muitos anos ainda, será pequeno em relação ao petróleo e gás. Em relação ao petróleo e o gás, nós temos os maiores potenciais de reservas de novos barris”, afirmou.

Gabrielli lembrou que muitas refinarias que trabalhavam com 90% da sua capacidade nos governos petistas, hoje estão operando com 76%, algumas até com 56% da sua capacidade. “Houve claramente subutilização para viabilizar a importação dos derivados do petróleo”, afirmou. Ele disse que hoje o País caminha para inviabilizar a Petrobras como uma empresa grande e forte. “Estamos condenando a Petrobras, por uma opção do seu conselho administrativo, a dar prioridade no curtíssimo prazo para reajustar seus prejuízos financeiros”, lamentou.

Indústria nacional – O conteúdo nacional, que visa incrementar a participação da indústria nacional de bens e serviços, em bases competitivas, foi defendido fortemente por Gabrielli. Ele afirmou que é preciso pensar a questão como política industrial, e como tal, ela tem que levar em conta que alguns segmentos dessa indústria estão em fase nascente.

“A indústria nascente historicamente precisa de proteção, convergindo para preços internacionais. Não pode ser setorial, tem que envolver ciência e tecnologia e incentivos da área econômica do governo. E precisa de um segundo elemento, que é de escala. Não pode dar estímulo à indústria local, quando a demanda é pequena. Então precisa escolher nichos, com escalas que viabilizem o investimento da empresa de serviço que possa produzir esses equipamentos no Brasil. Um terceiro ponto é que ela precisa ser modular. Tem ramos que têm potencialidade de mais rapidamente convergir para preços internacionais, outros não. Então é preciso analisar subsegmento por subsegmento”, defendeu.

Para Gabrielli, abandonar a política de conteúdo nacional, com a idílica expectativa de que a competitividade vai levar a reduzir custos e viabilizar a expansão da indústria, vai, na verdade, “concentrar renda petroleira e diminuir os impactos sobre a economia nacional”.

 

PT na Câmara, com site lula.com.br

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