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Pensadores e políticos de renome internacional discutem nesta sexta ameaças à democracia no Brasil e no mundo

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O mundo está de olho no Brasil, observa atentamente as violações à democracia brasileira e lamenta a ausência do País nos últimos dois anos como protagonista da política mundial. Para debater essa conjuntura, a Fundação Perseu Abramo (FPA) realizará, nesta sexta-feira (14), o seminário internacional “Ameaças à Democracia e à Ordem Multipolar”, uma iniciativa do ex-primeiro ministro da França, Dominique Villepin, e do ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim.

Poucas vezes no País um tema atraiu tantas personalidades de renome internacional, como Massimo D’Alema, ex-primeiro-ministro da Itália; José Luís Rodriguez Zapatero, ex-primeiro-ministro da Espanha; Carlos Ominami, ex-senador e diretor da Fundación Chile 21; Cuauhtémoc Cárdenas, ex-governador do Distrito Federal do México; Pierre Sané, ex-secretário geral da Anistia Internacional e presidente do Imagine Africa Institute (Senegal); e Jorge Taiana, deputado do Parlamento do Mercosul e ex-ministro das Relações Exteriores da Argentina. (Ver aqui programação completa)

“O seminário procura ligar justamente o que tem ocorrido no mundo – em termos de organização de poder, da ordem mundial ou desordem mundial, como preferem outros – com a situação específica de alguns países e mais especialmente com as ameaças que têm sido feitas à democracia. Obviamente não escapa ninguém. O tema não é direcionado somente ao Brasil, mas evidentemente ninguém ignora o momento pelo qual o País está passando”, explicou Celso Amorim, durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (13) sobre o seminário.

Villepin, que também participou da coletiva e será um dos expositores no evento, reforçou que a ideia de fazer o seminário se justifica não só nas dificuldades pelas quais o Brasil está passando com relação ao multilateralismo, mas também naquilo que o mundo está enfrentando neste momento. Nesse sentido, destacou a importância do País para a superação dessa crise, afirmando que, diante de tais dificuldades, a presença brasileira é fundamental. “A primeira convicção pessoal que tenho é que mais do que nunca o mundo precisa do Brasil”, garantiu.

O ex-primeiro ministro da França aproveitou a ocasião para ressaltar que ele e muitos observadores internacionais guardam inúmeras preocupações com relação ao que está acontecendo no Brasil e com outros países onde se proliferam governos autoritários, bem como com os Estados Unidos a partir do governo do presidente Donald Trump.

Para Villepin, o mundo passa por grandes mudanças, com a alteração na geopolítica de uma ordem unipolar para uma multipolar e a afirmação de grupos supremacistas e conservadores na América Latina e na Europa. “As desigualdades têm ocorrido entre países ricos e países pobres, mas também ocorrem dentro dos próprios países. Vemos esse fosso aumentar muito entre algumas elites e o resto da população”.

“Nesse contexto, precisamos muito do Brasil como o grande ator democrático e defensor do multilateralismo, que sempre foi. O Brasil conseguiu se afirmar além do processo democrático, com uma diplomacia muito ativa e influente. Eu vivenciei tudo isso com o ministro Amorim, que participou ativamente nas relações do Brasil, principalmente na crise do Iraque, com países emergentes e também na crise iraniana”, apontou Villepin.

ONU – Durante a entrevista coletiva, Amorim destacou a grande preocupação com as recentes posições do Brasil diante da comunidade internacional, especialmente ao desrespeitar as decisões do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

“O Brasil assinou todos os pactos e tratados a partir da redemocratização, que no governo militar não foram assinados, porque eles sabiam que não cumpririam. Agora, no entanto, acho muito chocante que o Brasil se refira ao Comitê como se ele fosse um órgão administrativo e não tivesse importância. Chegaram ao absurdo de dizer que o País não deveria se curvar à ONU. A ONU somos nós. O Brasil é membro originário das Nações Unidas”, criticou Amorim.

Para Villepin, os acontecimentos recentes trazem muita preocupação para os observadores internacionais e, por isso, ele reforçou a necessidade de iniciativas como o seminário. “Minha presença no evento, juntamente com outras personalidades de todo o mundo, é uma prova do interesse e da preocupação que temos com o que está acontecendo no Brasil. O seminário é um exemplo da ligação que temos para defender o futuro, a democracia, a independência do Brasil e seu papel de nação forte no mundo”.

 

Serviço

Seminário internacional “Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar”

14 de setembro, das 9h às 17h50

Transmissão ao vivo pelo canal da FPA no YouTube com tradução simultânea em português, espanhol e inglês:

 

https://www.youtube.com/user/FundacaoPerseuAbramo/

https://www.facebook.com/fundacao.perseuabramo/

 

PT na Câmara com Agência PT

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