Home Portal Notícias Manchetes Golpe derrubou 60% dos recursos para proteção à mulher

Golpe derrubou 60% dos recursos para proteção à mulher

6 min read
0

Há exatos dois anos era consumado o golpe machista e misógino que destituiu Dilma Rousseff da Presidência da República sem a comprovação de crime de responsabilidade. O usurpador Michel Temer assumiu o posto presidencial ainda antes, em 12 de maio, quando a presidenta legítima foi afastada interinamente.

O afastamento definitivo de Dilma foi atestado em 31 de agosto, numa quarta-feira, por 56 senadores e cinco senadoras que confirmaram o momento de ruptura democrática no Brasil, ao afastar, ilegitimamente, uma presidenta eleita pelo povo.

Desde então, a política anti-povo do governo golpista tem afetado todos os setores, mas sobretudo a classe trabalhadora e as mulheres, especialmente as negras, que sofrem com uma sobreposição de vulnerabilidades e preconceitos.

Nesses dois anos, as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e de promoção da igualdade de gênero foram um dos principais alvos dos desmontes promovidos pelo governo golpista, que reduziu em 60,9% os investimentos nesse setor.

Em 2015, último ano consolidado do governo Dilma, até o mês de julho foram pagos R$ 53,9 milhões em políticas de enfrentamento à violência e promoção da igualdade de gênero. Neste ano, foram somente R$ 20,1 milhões no mesmo período, de acordo com informações do portal Siga Brasil.

A Casa da Mulher Brasileira, criada pela presidenta legítima para integrar serviços direcionados a mulheres em situação de violência é um dos projetos que sofrem com o corte de verbas. A meta era implantar uma casa em cada estado brasileiro até 2018.

Antes do golpe, Dilma finalizou a construção de três Casas, em Mato Grosso do Sul, Paraná e Distrito Federal, porém o governo golpista de Temer não deu continuidade à política.

Programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida também sofreram com os cortes orçamentários de Temer. As mulheres são as principais titulares dos programas, que contribuem para a promoção de autonomia e emancipação das beneficiárias.

Outra conquista das mulheres aniquilada por Temer é a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), com status de ministério. A estrutura foi desmontada pelo golpista e passou a ter status de “puxadinho” no Ministério da Justiça, comandado por um homem. Hoje, depois de uma peregrinação, está vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos.

O governo golpista também deixou evidente o descaso com as mulheres ao apresentar sua composição ministerial, apenas com homens brancos e héteros, representantes da classe dominante e do mercado financeiro.

A aprovação da Emenda Constitucional 55, que congela investimentos em políticas públicas, e da famigerada reforma trabalhista, também são marcas do golpe, que mostra- se cada vez mais devastador para a vida das mulheres.

Feminicídio – Os desmontes da rede de proteção à mulher promovidos por Temer acontecem em um momento de crescimento de casos de estupro e feminicídio no País, dos quais as mulheres são as principais vítimas.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no início de agosto, a cada dois minutos uma mulher sofreu violência doméstica no Brasil em 2017. O País contabilizou um estupro a cada nove minutos. No ano passado, três mulheres foram mortas por dia vítimas de feminicídio – assassinato motivado pela condição de gênero. É nesse ambiente hostil e de extrema violência que as mulheres sobrevivem no País.

Por Geisa Marques, da Comunicação Elas por Elas

 

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

Zé Neto apresenta projeto que garante computador para estudantes pobres de escolas públicas durante a pandemia

O deputado Zé Neto (PT-BA) apresentou um projeto de lei na Câmara (PL 3.699/20), com a coa…