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Mulheres negras querem aumentar presença no parlamento

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Representante de entidades que lutam por mais espaço de participação das mulheres negras na política afirmaram nesta terça-feira (13) que, apesar do preconceito e do racismo institucionalizado na sociedade brasileira, a unidade das mulheres pode fazer avançar a representatividade do gênero na política brasileira. Durante a mesa de debates que discutiu o tema “Mulheres Negras em Espaços de Poder”- como parte do seminário “As Mulheres na Política” – a distribuição de 30% de recursos do fundo eleitoral para as campanhas das mulheres foi encarada como uma possibilidade de fortalecimento da presença feminina nos parlamentos. Em outra mesa do evento, lideranças políticas e feministas de países nórdicos apresentaram as experiências adotadas por esses países para promover o empoderamento feminino na política.

Para a representante do Comitê Mulheres Negras Rumo ao Planeta 50 50, Mônica Oliveira, o crescimento da presença feminina negra no parlamento pode ocorrer não apenas com apoio financeiro às campanhas, mas também com a união das outras mulheres na mesma direção. “É uma notícia alvissareira a destinação de 30% dos recursos para as mulheres, mas é necessário que as mulheres brancas não reproduzam o discurso que os homens fazem para as mulheres nos partidos: esperem mais um pouco, vamos investir em você mais à frente quando você tiver chance de vencer”, disse.

Ainda sobre este tema, a doutoranda em Políticas Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), Marjorie Nogueira Chaves, lembrou que se houver uma distribuição justa do Fundo Eleitoral a representatividade das mulheres negras pode crescer no parlamento na próxima legislatura. “As mulheres negras são apenas 5% da representação política entre Câmara e Senado. Temos poucas candidaturas de mulheres negras porque ainda vivemos em uma sociedade patriarcal machista, composta de homens brancos, que não incentivam candidaturas de mulheres, quanto mais ainda de negras. Por isso, se houver distribuição democrática do fundo pode ocorrer um estímulo a candidaturas de mulheres negras”, observou.

Ao lembrar os obstáculos que enfrentou até chegar ao parlamento, a deputada Benedita Lula da Silva (PT-RJ) conclamou todas as mulheres a participar ativamente da luta para fortalecer a luta por mais espaços de poder. “Temos que ir à luta, buscar em nós mesmas a força para ocupar os espaços de poder. Mulher não pode aceitar ser candidata laranja em partido, tem que ir com projeto, ainda que tenha poucos votos. O espaço institucional nós conquistamos quando atuamos juntas, na mesma causa. E essa lei que destina 30% dos recursos para as campanhas femininas não é nenhum favor, porque deveríamos ter a equidade de 50% nos recursos, das candidaturas e na ocupação de espaços no parlamento”, afirmou.

Experiência internacional – Durante a discussão sobre a experiência nórdica de participação das mulheres na política – moderada pela representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman – o embaixador da Suécia no Brasil, Per-Arne Hjelmborn, destacou que nos países da região (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia) “a igualdade de gênero é um dos pilares da sociedade”. O embaixador explicou, por exemplo, que todos os ministros do governo precisam adotar nas políticas públicas de suas respectivas pastas critérios de equidade entre homens e mulheres.

A ex-líder do Partido Liberal e ex-membro do Parlamento na Suécia Maria Leissner disse que uma das ferramentas para promover a participação das mulheres na política nos países nórdicos foi a adoção das cotas de candidaturas nas listas partidárias. Ela explicou ainda que na Suécia o parlamento tem 43% de representação feminina, e que no governo metade do ministério é composto por mulheres.

Já as fundadoras da Rede de Feministas Nórdicas e fundadora do Partido Feminista Finlandês, Maryan Abdulkarim, reconheceu que a realidade brasileira é diferente da finlandesa no que se refere à garantia dos direitos das mulheres, mas observou que a luta do feminismo por igualdade de gênero deve ser solidária e abarcar toda a sociedade. “Se o feminismo não incluir todos os gêneros, todas as raças e etnias na luta por igualdade de gênero isso não se converterá na libertação de todas as mulheres”, aconselhou.

 

Héber Carvalho

 

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