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Pimenta denuncia esquema criminoso em delações na Lava Jato

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O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), denunciou hoje (22) a existência de um verdadeiro esquema criminoso envolvendo agentes da Operação Lava Jato, com a criação de um “suspeito mercado de delações”, tanto para reduzir penas como para evitar o comprometimento de suspeitos. Segundo o parlamentar, trata-se de uma articulada estrutura de “venda de proteções, em relações subterrâneas entre juízes, procuradores e advogados”.

Pimenta conclamou o Congresso Nacional a investigar a fundo diferentes denúncias envolvendo a Lava Jato e adiantou que a Bancada do PT na Câmara tomará as medidas necessárias junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pois além do mercado de delações há também um verdadeiro esquema de palestras remuneradas envolvendo integrantes da Lava Jato.

O líder do PT denunciou que há escritórios de advocacia que achacam pessoas em nome de delatores, para evitar que sejam delatadas nos processos da Lava Jato. “É um mercado em que mais vale não ser delatado, é um escândalo”. Para Pimenta, recentes  denúncias comprovam que a Lava Jato perdeu qualquer verniz de seriedade e isenção, confirmando sua “seletividade contra o PT e, em especial, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Tucano – Para Pimenta, as últimas denúncias sobre a participação do juiz Sérgio Moro em evento em Nova York promovido pelo lobista e pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo João Doria Junior comprovam o envolvimento suspeito do magistrado com a política e outros interesses. Moro participou como palestrante de evento em Nova York, organizado pela empresa LIDE, de Doria, que teve entre os seus patrocinadores o escritório de advocacia Nelson Wilians, que atende a Petrobras. Em outro evento, foi homenageado em um jantar com convite que custaram até 26 mil dólares, pagos até pela Petrobras, que é parte envolvida nos processos “julgados” por ele.

Pimenta perguntou sobre quanto Moro recebeu para dar a palestra em Nova York, violando frontalmente o Código de Ética da Magistratura. Ele denunciou que o escritório Nelson Wilians tem como clientes a Petrobras e Doria e participou ativamente do golpe de 2016 contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, fornecendo até jatinhos para parlamentares votarem em Brasília no dia do impeachment. “É um escritório que patrocina Moro para ir aos EUA ajudar a liquidar as riquezas brasileiras a preço de banana para os gringos”, disse o líder do PT.

Gringos – Pimenta denunciou que uma grande operadora do mercado financeiro, a XP, vai realizar seminário com bancos estrangeiros e brasileiros para tratar da liquidação das riquezas nacionais. O curioso é que entre os palestrantes haverá três procuradores da Lava Jato – Deltan Dallagnol, Carlos Fernando dos Santos Lima e Diogo Castor Mattos. “Em qualquer lugar do mundo, essas palestras remuneradas para liquidar riquezas nacionais, como fazem Moro e os procuradores da Lava Jato, os levaria à cadeia”, disse Pimenta.

Para o líder, os últimos fatos envolvendo Moro e seu entorno só confirmam as denúncias do advogado Tacla Durán, hoje residente na Espanha. Ele tem farta documentação que coloca em xeque não apenas a totalidade das delações dos executivos da Odebrecht no âmbito da Lava Jato, mas também de todas as denúncias construídas a partir dessas delações e de outros dados coletados a partir de sistemas de informações da empreiteira.

Entre outros fatos, Durán denunciou o chamado “esquema Zucolotto”, em que o advogado Carlos Zucolotto – amigo próximo do juiz Sérgio Moro, ex-sócio de sua esposa, Rosângela Moro, e padrinho de casamento do casal – teria funcionado como intermediador do seu acordo de delação com o Ministério Público. Disse ainda que o amigo da família Moro foi autor de uma proposta de redução de US$ 10 milhões na multa a ser cobrada de Durán, caso ele fizesse um pagamento de US$ 5 milhões “por fora”, além de um abrandamento de pena – de regime fechado para domiciliar.

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