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Contra PL dos Venenos, entidades reivindicam política para reduzir agrotóxicos 

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A batalha contra a aprovação do PL 6299/02, que flexibiliza o uso dos agrotóxicos, prevista para ir a voto nesta quarta-feira (16), em comissão especial, ganhou um reforço de peso. A chef Paola Carosella juntou-se a entidades que são contra a proposta e participou de reunião com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para pedir que a tramitação do projeto não avance na Casa.

O presidente do Núcleo Agrário do PT, deputado Nilto Lula Tatto (SP), o deputado Paulo Lula Teixeira (PT-SP) e o presidente da Frente Ambientalista, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), juntamente com a chef de cozinha e os representantes das entidades, reivindicaram também a instalação da comissão especial que analisará uma proposta de iniciativa popular (PL 6670/16) que vai na contramão do projeto do veneno.

O deputado Nilto Tatto destacou a importância das manifestações da sociedade civil e da resistência dos partidos progressistas contra a aprovação do projeto dos venenos. “Além do compromisso de instalar a comissão para o projeto de iniciativa popular, conseguimos a garantia de que o projeto do veneno não será votado no Plenário da Câmara sem uma reunião técnica, para que os especialistas da área expliquem os problemas e retrocessos da proposta”, afirmou.

O PL 6670 cria a Política Nacional de Redução do uso de Agrotóxicos, que são verdadeiros venenos, prejudiciais à vida humana e ao meio ambiente. “É possível ter uma agricultura rentável, produtiva e saudável”, afirmou Paola. A chef, que utiliza com frequência sua rede social para defender alimentação sem veneno, disse que a população precisa saber que não se amplia produção agrícola apenas com uso de agrotóxico e com transgênicos.

“Tem como produzir de outras formas sem prejuízo para a saúde da população e para o meio ambiente. O Brasil – com a sua biodiversidade, com a sua riqueza e na posição de guardiã de grandes reservas de águas – não pode ter uma postura poluente. Não pode deixar de assumir uma postura perante ao mundo em defesa da agroecologia”, cobrou Paola Carosella.

O deputado Paulo Lula Teixeira destacou que Paola Carosella é uma importante voz da sociedade civil, que tem um trabalho relevante na área de alimentação saudável. Ele avaliou como muito importante a reunião com o presidente da Câmara, porque Rodrigo Maia garantiu a instalação da comissão para discutir a Política Nacional de Redução do uso de Agrotóxico. Teixeira também criticou o projeto do veneno. “Essa proposta é um ‘liberou geral’. É uma retirada de regras para o uso do veneno, e o Brasil já tem um problema seríssimo de uso de agroquímicos que já foram banidos em outros países”, alertou.

Ele destacou que é autor projeto de lei (PL 4412/12) que proíbe o uso de 20 princípios ativos presentes em agrotóxicos ainda usados no Brasil, mas que já foram vetados em vários países. “O que o agronegócio está fazendo aqui é um crime contra o consumidor, e nós temos que impedir que essa proposta seja aprovada”, reforçou

Debate – Paola Carosella disse que é fundamental que haja mais debates antes da aprovação do uso indiscriminado dos agrotóxicos. “Nós, sociedade civil, gostaríamos de saber por que é necessário mais veneno na produção, por que é necessário tirar os poderes da Anvisa, dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente na aprovação de novos venenos”, questionou.

Ela também quis saber a razão de colocar toda a liberação de agroquímicos nas mãos do Ministério da Agricultura, bem como entender o motivo “de não deixarem a sociedade e entidades opinarem”. A chef acrescentou ainda que é difícil compreender a argumentação de que é preciso usar mais veneno para produzir mais. “Isso não faz sentido, já que hoje 30% da produção mundial de alimentos é descartada”, frisou.

Vânia Rodrigues

 

 

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