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Direitos Humanos quer rigor na apuração de tortura contra famílias sem-terra no Pará

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O deputado Luiz Lula Couto (PT-PB), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, anunciou em plenário que vai na próxima semana ao Pará cobrar rigor na apuração da denúncia de mais um crime – cometido com requintes de crueldade – contra famílias de trabalhadores rurais sem-terra. “Recebemos denúncia de que no município de São João do Araguaia, no estado do Pará, homens fortemente armados torturaram dez famílias, inclusive crianças. Vamos pedir providências sobre essa questão. Não dá para aceitar!”, afirmou.

Couto disse que o episódio revela que o ser humano passou dos limites. Segundo o parlamentar, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) relatou que quatro pistoleiros fortemente armados e encapuzados não pouparam nem as crianças. “Durante quase uma hora, os trabalhadores foram vítimas de uma sessão de torturas. Os adultos foram espancados a golpes de paus, facões e coronhadas. As marcas ficaram espalhadas pelos corpos dos trabalhadores”, detalhou.

O parlamentar contou que os agressores dispararam armas próximo ao ouvido de dois bebês de 3 meses de idade, atiraram em redes com crianças dentro, além de derrubarem e pisotearem crianças no chão. “Uma das mães que estava grávida também foi pisoteada e teve sangramento, correndo o risco de abortar. Após a sessão de torturas, os pistoleiros colocaram fogo nos barracos dos agricultores com tudo que o estava dentro”, explicou.

Os registros repassados pela CPT também apontam que dois trabalhadores que chegaram ao acampamento no momento da sessão de terror retornaram sob tiros disparados pelo grupo armado. “Todos foram obrigados a subirem na carroceria de duas caminhonetes, com a roupa do corpo, sendo abandonados na Vila Santana, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, a cerca de 30 km do local do acampamento”, completou o deputado.

“Esta covardia é o apocalipse brasileiro. Não temos mais estruturas para suportar tamanha crueldade. Isso tudo se deu por causa de um despejo ocorrido em janeiro, da Fazenda Esperança. A ordem dos pistoleiros era que as famílias fossem para Tocantins e não ficassem no estado do Pará. Nós que somos legisladores temos o compromisso de proteger por meio das leis essas famílias despejadas. Os atos caracterizam condutas criminosas graves, que merecem rigorosa apuração por parte das autoridades locais e se possível federais”.

Tarciano Ricarto

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