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Líder Paulo Pimenta questiona homenagens a Sérgio Moro nos Estados Unidos

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Em entrevista à rádio Sputnik News, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), questiona as seguidas homenagens ao juiz Sérgio Moro nos Estados Unidos. Além disso, Pimenta denuncia a ação de blogs e meios de comunicação alinhados aos interesses das grandes empresas dos EUA em relação às riquezas estratégicas do Brasil.

Leia a íntegra da entrevista:

Sputnik News – Paulo Pimenta, o que o juiz Sérgio Moro está falando em Nova York sobre o combate à corrupção?

Paulo Pimenta – Na realidade, à medida em que o tempo vai passando, ficam mais claras as relações de intimidade que envolvem não só o juiz Sérgio Moro, mas também o doutor Rodrigo Janot [ex-procurador-geral da República], que estava no mesmo evento em Nova York. Vários procuradores da Lava Jato receberam treinamento nos Estados Unidos, e cada vez ficam mais claros os interesses norte-americanos, especialmente das empresas do setor do petróleo, em todo esse processo político que o Brasil está vivendo. Já não há mais dúvidas de que esse golpe foi financiado por interesses internacionais que tiveram como objetivo afastar a presidenta Dilma [Rousseff], e que alimentam uma campanha internacional contra a figura do presidente Lula com o objetivo de manter esse cenário que o Brasil vive hoje, extremamente propício à desnacionalização da nossa soberania, com a venda do petróleo, da Eletrobras, e a abertura de autorização para a exploração mineral do Brasil às empresas multinacionais. Tudo isso só foi possível com a derrubada do governo da presidenta Dilma. É uma pergunta que é muito simples: por que os Estados Unidos concederiam ao juiz Sérgio Moro, como concedeu aos outros, por uma das suas principais instituições, um título de cidadão do ano? Por que o Moro é considerado o cidadão do ano nos Estados Unidos? Por qual razão, a cada mês, instituições americanas ligadas a diferentes ramos da economia homenageiam Sérgio Moro e Rodrigo Janot e membros destacados da Operação Lava Jato? Qual foi o serviço e objetivo alcançado pelos americanos que teve a participação direta dessas figuras? Essa é a grande pergunta que nós temos que nos fazer. Já não há mais dúvidas nesse último período de que – de maneira mais intensa – houve uma articulação que envolve não só o Brasil, mas a Argentina, Colômbia, a Bolívia e o Equador. São blogs e sites patrocinados pelos interesses internacionais, claramente alinhados com as políticas e que atuam no sentido de desestabilizar e enfraquecer os movimentos de resistência e de combate ao golpe, que denunciam especialmente a interferência americana nesse processo.

Algumas das ações patrocinadas pelo Counsel Of América, depois da ascensão do governo Temer, inclui a Monsanto, que conseguiu um aval para dar continuidade à venda de agrotóxicos que já são proibidos em diversos países do mundo. A Microsoft, que tem um acordo milionário para substituir os softwares de código aberto no Brasil pelo sistema Windows; a Coca-Cola, que em diversas vezes, por mídias, foi anunciada a participação da empresa na negociação para a privatização do aquífero Guarani, um dos principais recursos hídricos do mundo. E para não falar do porte das empresas… As maiores eu levaria mais de 10 minutos para falar de todas as empresas que são filiadas ao Conselho dos Estados Unidos. Na América Latina, essa atuação não vem de hoje. Ela existe desde a década de 60 com a atuação direta de entidades na deposição do presidente João Goulart, com apoio do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), a Ação Democrática Popular, e outros episódios, entre eles, a deposição de Salvador Allende, no Chile.

Sputnik News – Por que Sérgio Moro, que foi indicado ao “Homem do Ano”, está fazendo palestra lá? E só para trazer uma informação, quem esteve lá – em uma exposição bem privada – foi o candidato Jair Bolsonaro.

Paulo Pimenta – Eu acho que essa informação retira qualquer dúvida sobre a relação direta que existe entre o interesse comercial das grandes empresas, o governo norte-americano e o processo que o Brasil vive hoje, e que certamente tem tentáculos em diversos países da América do Sul, acelerado a partir da descoberta do pré-sal. Sem dúvida alguma, o petróleo explica todas as grandes movimentações internacionais das últimas décadas. Assim foi no Iraque, no Kuwait e na Argentina, e não é diferente no Brasil, onde certamente o petróleo foi o elemento central que desencadeou essa interferência cada vez mais ativa dos Estados Unidos no Brasil.

Sputnik News – Hoje o Supremo Tribunal Federal manteve a aplicação da Lei da Ficha Limpa para políticos condenados antes de 2010. É o caso de dezenas de vereadores, governadores, deputados federais e estaduais, que estão exercendo os mandatos através de liminar. Essa decisão afeta de alguma forma ou poderia afetar a disputa do presidente Lula no próximo pleito?

Paulo Pimenta – Não, de maneira alguma. Isso é uma questão relativa a decisões que tenham sido tomadas anteriormente, ou seja, mais uma demonstração, como se diz, judicial que extrapola nas suas competências, interferindo na competência do Poder Legislativo, e que é reveladora desse estado de fragilidade democrática que vive o Brasil.

Sputnik News – Ainda falando de STF, qual é a sua avaliação e expectativa em relação ao recurso apresentado pela defesa do presidente Lula, quanto à possibilidade de não haver um mandado de prisão contra ele antes do pleito?

Paulo Pimenta – Espero que o STF paute essa questão [do julgamento do habeas corpus preventivo pedido pela defesa do ex-presidente Lula]. Não é razoável que o presidente Lula possa ser de uma forma atingido por essa decisão, que isso justifique que o STF não paute essa matéria. Há um habeas corpus, e essa matéria precisa ser julgada. A prisão do presidente Lula hoje seria uma violência institucional. Espero que o STF paute o mais rapidamente possível e possa tomar a decisão adequada para impedir que essa violência seja cometida contra a figura do presidente Lula.

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