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Líder do PT vê chance de afastamento de Temer diante de enfraquecimento do governo

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O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (19), analisou o momento político atual que considera ser desfavorável ao governo Temer por uma série de contradições e de iniciativas adotadas equivocadas e prejudiciais à sociedade brasileira. Ele reafirmou a posição da Bancada do PT de continuar trabalhando pelo afastamento de Temer e de acatamento da denúncia pela Câmara na votação prevista para a próxima semana. “Acreditamos que a chance desse afastamento é enorme”, avaliou.

Analisou o líder que o governo tem encontrado dificuldade de manter coesão na base aliada em função de muitas contradições que se “agudizaram” nos últimos tempos, agravadas pela falta de respaldo na sociedade brasileira. “Vocês viram agora nesta semana o Portaria que regulamentou – na verdade desregulamentou – a fiscalização do trabalho escravo. Uma Portaria que teve uma repercussão desastrosa e que o governo publicou com o único objetivo de atender um pequeno grupo de deputados da bancada ruralista”, ilustrou.

Ao mesmo tempo, disse o líder do PT, o governo toma medidas que desagradam o setor industrial como, por exemplo, a edição da Medida Provisória 795 que permite a importação de plataformas de petróleo e de equipamentos necessários à exploração do petróleo e gás no País. “Esta medida arrebenta não só indústria naval, mas muitas indústrias que fornecem equipamentos para exploração do petróleo. É outra medida que rompe laços com setores que apoiaram o golpe, setores da Fiesp, da CNI, que estão descontentes agora com o que está acontecendo no nosso País”, disse Zarattini.

Para o líder do PT, com todas essas iniciativas o governo vai ampliando suas dificuldades e o seu isolamento e isso repercute dentro do Parlamento. “Então, já se começa a se constituir um novo movimento, que não tem nada a ver conosco da oposição, que mantemos nossa posição, mas um novo  movimento dentro da própria base do governo colocando em risco a sua sobrevivência”, avaliou.

“O governo, quando foi vitorioso na primeira denúncia, não se reorganizou e isso acumulou contradições e problemas. E hoje a gente vê que a coisa está cada vez mais estranha. Vocês vejam o caso da intervenção na Fundação Postalis, que é o fundo de pensão dos Correios, uma coisa estranha porque tinha acabado de ser nomeada uma diretoria por indicação do PSD. Uma semana depois acontece a intervenção. É lógico que se tem alguma irregularidade tem que sanar mas, abruptamente, se coloca uma intervenção e isso cria um problema dentro do PSD, com aqueles deputados que participaram dessas indicações. Então, estamos vendo esses problemas se avolumarem”.

Para o líder Carlos Zarattini, as desavenças entre Temer e Rodrigo Maia surgem exatamente dessas contradições. “Rodrigo Maia é uma pessoa que dialoga com o setor financeiro, o chamado o mercado. Esse mercado está vendo que o governo não tem condições de levar avante as suas propostas. A chamada ponte para o futuro, que nós chamamos de pinguela para o passado, coloca também para o mercado a necessidade de substituir o governo”, analisou.

Carlos Zarattini lembrou ainda que Rodrigo Maia já afirmou que não vai voltar nenhuma medida provisória enquanto não alterar o rito atual. “O rito que se propõe alterar é uma PEC que dificulta o governo na tramitação das medidas provisórias e cria mais exigências ao governo do que o rito atual”, observou.

Para o líder do PT, na votação da denúncia contra Temer em plenário, “com certeza vamos ter um número maior de votos contrários ao governo”, concluiu.

PT na Câmara

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