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Exposição Jango: a nossa breve história, será lançada na Câmara nesta terça

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Nos cinquenta anos do golpe militar o Arquivo Nacional apresentou, em sua sede no Rio de Janeiro, a exposição Jango: a nossa breve história, com cerca de 160 fotografias, reproduzidas ou projetadas, um vídeo de 32 minutos e cinco vitrines contendo 20 documentos originais e publicações dos anos 1960. Composta exclusivamente com o acervo da instituição, a mostra é dedicada ao governo de João Goulart, sem esquecer sua trajetória pessoal, chegando até as imagens de exílio. Esta amostra torna-se itinerante, por meio de um Termo de Cooperação com o Instituto Presidente João Goulart, se adequando aos espaços onde tem sido apresentada, com o acompanhamento da curadoria do Arquivo Nacional, mantendo assim, o fio condutor de Jango: a nossa breve história.

A Exposição Jango: a nossa breve história, será lançada na Câmara, nesta terça-feira (10), às 14h, no Salão Verdade da Câmara. É promovida pelo Instituto João Goulart e conta com apoio do deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Ficará disponível para a visitação até o dia 20 de outubro.

O circuito da mostra divide-se em cinco momentos, começando pelo desfecho, em 1964: uma série fotográfica com os eventos tidos como detonadores da crise militar; o dia após dia de março daquele ano que continua nos meses seguintes com a leitura do AI-1, as prisões, as invasões de residências, os inquéritos, o deputado cassado Rubens Paiva a caminho do exílio; e ainda, lembrando e homenageando a agitação cultural de então, cenas de Deus e o diabo na terra do sol, o show Opinião, e já em 1965 uma manifestação estudantil contrária ao regime.

A trajetória de Jango é retomada a partir de seu mandato de deputado federal, da posterior ocupação da pasta da Justiça no segundo governo Vargas, do cargo de vice-presidente no governo JK, de sua eleição como vice-presidente no governo Jânio Quadros, até se tornar presidente em 1961,. Dos palanques de campanha à renúncia de Jânio, até a crise em torno da posse de João Goulart, chega-se aos de seu governo, incluindo a campanha pelo retorno ao presidencialismo.

Esses breves anos são retratados pelo gabinete parlamentarista, sobretudo, o do primeiro ministro Tancredo Neves, a assinatura de importantes atos como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a criação da Universidade de Brasília, e momentos de grande projeção como a cobertura da visita aos Estados Unidos com a chuva de papel picado em Nova York e com Kennedy na Casa Branca. No Brasil, a agenda política alterna encontros com trabalhadores e estudantes; com líderes como o governador Arraes, o economista e responsável pelo Plano Trienal, Celso Furtado, o sempre lembrado embaixador norte-americano Lincoln Gordon; a seleção bicampeã de 1962, essa, uma das poucas notas festivas em meio a muitas greves e conflitos.

Há lugar também para lembrar as inaugurações de grandes obras que seguiam a trilha do desenvolvimentismo de JK. Personagens da cena cultural e política do início da década de 1960 dão o tom da inovação radical que se anuncia na música, no teatro de Nelson Rodrigues, no Cinema Novo. E no mundo, Lennon, Martin Luther King, manifestações pacifistas contra a bomba atômica, o 1º de maio na Praça Vermelha, a construção do Muro de Berlim, a Guerra Fria.

O quarto momento é voltado às manifestações e protestos nos quais eclodiu de fato a campanha pelas reformas de base. Não faltou o protesto de estudantes e trabalhadores contra a proposta de Jango de decretar estado de sítio para viabilizar as reformas. O último momento, Exílio, projeta imagens dos primeiros banidos do regime, ainda em 1964. Mostra também, inclusive com retratos do arquivo privado de João Goulart o exílio de Jango e sua família. A exposição oferece ao público, além de registros do golpe militar de 1964, a oportunidade de conhecer o perfil de João Goulart, uma janela de acesso à política brasileira das décadas de 1950 e 1960, chave para acompanharmos rumos partidários, movimentos sociais, o papel dos estudantes, o cenário do pós-guerra, o clima de irreversível mudança que se respirava no país,de bossa nova e democracia.

Assessoria Parlamentar com Instituto João Goulart

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