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Reforma Trabalhista promoverá “escravidão branca”, diz sindicalista em depoimento emocionante

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MariaIsabelCaetanoFotoAlexFerreiraCD

 

Lamento e pedido de socorro marcaram a audiência pública da comissão especial que trata da Reforma Trabalhista (6787/16), nesta quarta-feira (29). A voz de Maria Isabel Caetano dos Reis, Presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário, Prestação de Serviços e Serviços Terceirizáveis no Distrito Federal (Sindiserviços) reproduziu a voz de milhões de brasileiros que serão afetados pelas propostas que retiram os direitos trabalhistas contidos na legislação.

“Nós dormimos com o emprego e amanhecemos sem ele. Então, é uma coisa muito grave”, lamentou Maria Isabel, apontando para os malefícios da ampliação da terceirização e do trabalho temporário e da Reforma Trabalhista.

“Com essas reformas, como é que vão ficar meus bisnetos, meus netos para poderem se aposentar? E o terceirizado? Eles não têm a quem recorrer. Só restará receber ordem, ordem, ordem e cumprir, cumprir e se calar. Para mim, será a escravidão branca”, sentenciou. “Não queiram tirar vantagem daqueles que não têm condições de dizer não às empresas”, suplicou.

Ao comentar a participação da sindicalista, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) classificou de emocionante o depoimento da Maria Isabel. Segundo ela, a representante do Sindiserviços revelou um sentimento de angústia provocado pelo projeto.

“Essa audiência de hoje marcou para mim todo o histórico da Reforma Trabalhista. Chegou aqui uma mulher simples e do povo para desbancar todo e qualquer argumento que alega que a Reforma Trabalhista vai auxiliar o trabalhador, criar mais empregos. Valeu e valeu muito. Quisera que de agora em diante tivessem muitas Maria Isabel no plenário desta Casa”, disse Benedita da Silva.

A deputada contou que, durante a audiência, ficou provocando a base do governo golpista a refutar todos os argumentos da sindicalista. “Diga a Maria Isabel que nós estamos inventando. Ela sabe que tem uma Constituição que a protege. Ela sabe que a gente tem jornada de trabalho e que vocês querem aumentar. Ela também sabe, perfeitamente, que vão desempregar todas as pessoas desse país que tem uma qualificação. Ela não quer continuar fazendo esse serviço. Ela quer que todos os trabalhadores brasileiros tenham seu tempo de lazer e sua jornada de trabalho decente”, completou a parlamentar.

Benildes Rodrigues

Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara

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