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Leo de Brito analisa a Operação G7 e o estrago causado pelos “falsos heróis” nacionais

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Em artigo, o deputado Leo de Brito (PT-AC) analisa a absolvição dos acusados pela chamada Operação G7, no Acre. A operação foi deflagrada em 2013, pela Polícia Federal, por suspeita de fraude na construção de 3.348 casas populares no âmbito do programa estadual “Cidade do Povo”, do governador Tião Viana, do PT. Leo questiona autoridades jurídicas e procuradores que querem virar heróis de multidões manipuladas por uma mídia que defende seus interesses e de criminalização da política, que tem como bode expiatório o PT e os danos irreparáveis causados aos acusados.

“O modelo de herói nacional, representados por Moro, Dallagnol e o japonês da Federal, com super-exposição midiática, power points, comícios em escadarias de fóruns ou em púlpitos de igrejas e apoio da Globo pra fazer o que quiser, independente de ser legal ou ilegal, é o que há de mais nefasto já produzido pelo sistema judiciário brasileiro”.

Leia a íntegra:

Sobre a Operação G7 e falsos heróis

Leo de Brito *

Em tempos de autoridades jurídicas e procuradores que querem virar heróis, de multidões manipuladas por uma mídia que defende seus interesses e de criminalização da política, que tem como bode expiatório o PT, uma luz: o juiz federal Jair Facundes, aplicando tecnicamente o direito, absolve os acusados na chamada Operação G7.

Ao tomar conhecimento da notícia, tive a curiosidade de revisitar um artigo de minha autoria, publicado nos jornais locais “Operação G7: um diálogo com o senso comum”. Nesse artigo, publicado em junho de 2013, em síntese, faço um questionamento aqueles que, de maneira cega, consideram as operações da polícia federal e de qualquer instituição republicana, infalíveis, porque não dizer, heróicas. À época, estava à frente da presidência do PT no Acre e, junto com o governador Tião Viana, fui um dos que fiz um forte enfrentamento às injustiças cometidas, tendo viajado os 22 municípios do Acre denunciando as arbitrariedades. Após o desfecho do caso, dialogo com algumas daquelas posições.

Em um dos parágrafos do texto defendi o fortalecimento das instituições republicanas, que devem ser respeitadas, mas que estas não são infalíveis e que podem sim, ser utilizadas de maneira inescrupulosa por alguns de seus membros com clara finalidade política ou para atingir pessoas. Passados quase quatro anos de deflagrada,com as famosas prisões espetaculosas e direito a Jornal Nacional, sem contar com os dois anos anteriores de escutas, o que ficou verdadeiramente patente é que a “heróica” Operação G7 não passou da maior farsa da história política do Acre. Seu objetivo claro era, literalmente, derrubar o governador Tião Viana e desgastar o Partido dos Trabalhadores.

No mesmo artigo, levanto dados sobre várias operações da PF, concluindo que à época apenas 6,5% delas resultaram em condenação, mesmo com todo o espetáculo midiático e que o governo federal já havia sido condenado a pagar milhões em indenizações por danos morais a pessoas atingidas por ações policiais irresponsáveis. Sobre a situação dessas pessoas, faço questão de trazer o texto integral. “Nos bancos dos cursos jurídicos aprendemos as velhas e eternas máximas de que ´uma injustiça cometida contra um, equivale a uma injustiça cometida contra todos´ ou que, ´mais vale um criminoso solto, que um inocente preso´. Aliás, se há algo que emociona e ao mesmo tempo revolta, são situações em que pessoas inocentes são injustiçadas (…)”.

De fato, este último aspecto é o que mais choca e comove. Como será reparada a honra de pessoas que foram literalmente condenadas antecipadamente e se tornaram verdadeiros párias na sociedade acreana e que sofreram uma exposição brutal pela mídia nacional? Quem trará de volta o empresário Carlos Sasai, que teve sua situação de saúde agravada e veio a falecer? E as famílias que sofreram e em alguns casos, se desfizeram tragicamente? E as empresas que faliram? Os estragos são imensos e irreparáveis.

O certo é que como afirmou um dos maiores injustiçados desta farsa, grande homem público, Wolvenar Camargo, em artigo publicado nesta semana “o que é a justiça senão a verdade?”. E não há mais como negá-la. Mas creio que não basta somente isso, sem que esse fato sirva de exemplo para uma profunda reflexão sobre nossas instituições, nosso sistema judiciário e sobretudo, sua relação promíscua como uma certa mídia que não tem nenhum compromisso com isenção.

Embora seja fã de histórias em quadrinhos, já passei da época de acreditar em super-heróis. O herói da operação G7 é hoje um dos delegados mais questionados o país e todos sabemos suas predileções políticas, sobretudo depois da Lava-jato. O modelo de herói nacional, representados por Moro, Dallagnol e o japonês da Federal, com super-exposição midiática, power points, comícios em escadarias de fóruns ou em púlpitos de igrejas e apoio da Globo pra fazer o que quiser, independente de ser legal ou ilegal, é o que há de mais nefasto já produzido pelo sistema judiciário brasileiro.

Não acredito em justiceiros, acredito na justiça. Confio nas instituições, mesmo sabendo que as pessoas que delas fazem parte são falíveis, por isso, devem ser controladas.Na vida real, os heróis são sempre falsos heróis, posto não serem perfeitos. O verdadeiro ato de heroísmo de quem representa uma instituição é cumprir com o seu dever, com zelo, dedicação e competência. Assim o fez o juiz federal Jair Facundes.

Leo de Brito é deputado federal pelo PT do Acre e presidente da Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara

Foto: Gustavo Bezerra
Mais fotos: www.flickr.com/photos/ptnacamara

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