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Morre Dom Paulo Evaristo Arns, “o cardeal da esperança”, o grande defensor dos direitos humanos

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Morreu nesta quarta-feira (14), vítima de uma broncopneumonia, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, uma das pessoas mais influentes da Igreja Católica e da sociedade brasileiras, conhecido pela contenda de uma vida inteira em defesa dos direitos humanos no país. Dom Evaristo, aos 95 anos completados em setembro, estava internado no Hospital Santa Catarina, em São Paulo, desde 28 de novembro, e hoje foi declarado pelos médicos que sofreu uma falência múltipla de órgãos.

Apesar de ter passado os últimos anos vivendo recluso em um convento em Taboão da Serra, sua morte impacta diferentes grupos sociais pelo seu papel decisivo na história da democracia brasileira. Dom Paulo, com 71 anos de sacerdócio, é uma figura que congrega pessoas muito além de crenças religiosas. Foi um dos principais nomes na luta contra a ditadura (1964-1985) e a favor do voto nas Diretas Já. Por conta disso – e por sua atuação incansável na defesa dos pobres – ficou conhecido como o “cardeal da esperança”.

Parlamentares da Bancada do PT utilizaram suas redes sociais para lamentar a morte do cardeal. O deputadoPaulo Teixeira (PT-SP) escreveu no seu twitter: “Morre D. Paulo Evaristo Arns, o cardeal da esperança. Pessoa fantástica, exemplo de vida e atuação pelos direitos humanos. Fará muita falta”.

Também no twitter, o deputado Vicentinho (PT-SP) se diz consternado com a notícia. “Informo o falecimento de Dom Paulo Evaristo Arns. O grande Bispo da dignidade humana! Que Deus da Justiça, o acolha plenamente!”, escreveu.

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) disse que estava muito triste com a partida “do grande defensor dos direitos humanos” Dom Paulo Evaristo Arns. E acrescentou: “Nosso eterno bispo dos oprimidos. Fará muita falta”.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Padre João (PT-MG), recebeu a notícia com tristeza e lamentou a morte de Dom Evaristo Arns dizendo que “o Brasil sabe da luta do cardeal da esperança e dos direitos humanos”.

“Dom Paulo. Uma vida pela justiça, dignidade humana. Alguém que foi o escudo de torturados e oprimidos. Paz e Bem”, escreveu a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em seu twitter.

O deputadoJoão Daniel (PT-SE) também lamentou a morte de Dom Evaristo. “Hoje perdemos este grande homem, Dom Paulo Evaristo Arns, que sempre se dedicou aos mais pobres e na defesa dos direitos humanos”, citou na sua conta no twitter. 

A deputada Erika Kokay (PT-DF) e o deputado Chico D’Angelo (PT-RJ), fizeram questão de retwittar o post que destaca a morte de Dom Paulo Evaristo Arns e enfatiza que ele não foi silenciado pela ditadura.

Homenagem – Na mais recente homenagem a trajetória política de Dom Paulo Evaristo Arns, em seu 95 aniversário, foi descrito por Dom Angélico Sândalo Bernardino como “o rosto da periferia de São Paulo”. “Ele é ecumênico, coração aberto, anunciando a urgência de resistirmos contra toda mentira, contra toda impostura. Naquele tempo, contra a ditadura civil-militar. E essa resistência, a que ele nos convida, é permanente no Brasil atual”, disse o bispo da diocese de Blumenau.

Celebrada em 24 de outubro no Teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca), às vésperas da morte do jornalista Vladimir Herzog na mão dos militares em 1975, a cerimônia reuniu religiosos, líderes militantes, intelectuais e jornalistas. Foi marcada, sobretudo, por relatos das ações de Arns contra a tortura aplicada pelos militares nos anos 60 e 70 e também por gritos de “fora, Temer”.

João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento Sem Terra, afirmou que sem ele os movimentos sociais careceriam de guia. “A maioria dos movimentos que hoje existe, MST, MAB [Movimento dos Atingidos por Barragens], Movimento dos Pequenos Agricultores, Comissão Pastoral da Terra, Cimi [Conselho Indigenista Missionário], nascemos orientados por vossa sabedoria, que pregava: em tempos de ditadura, deus só ajuda quem se organiza. Então fomos nos organizar. Queremos agradecer de coração por tudo que o senhor fez nesses 95 anos, sobretudo porque o senhor ajudou a acabar com a ditadura militar no Brasil”, disse Stédile. Corintiano, o arcebispo também recebeu homenagens, na ocasião, do coletivo Democracia Corinthiana.

Perfil – No Brasil, Dom Paulo Evaristo foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Quando assumiu a Arquidiocese de São Paulo, a segunda maior comunidade católica do mundo, em 1970, uma de suas primeiras medidas foi vender o Palácio Pio XII, residência oficial do arcebispo, para financiar terrenos e construir casas na periferia. Em 1972, ele criou a Comissão Brasileira Justiça e Paz, que articulou denúncias contra abusos do regime militar.

Chegou a ser fichado no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) em 1979. Em 1985, o cardeal criou a Pastoral da Infância com o apoio da irmã Zilda Arns, que morreu no Haiti, onde realizada trabalhos humanitários, vítima do forte terremoto que destruiu parte do país em 2010. Arns também foi o fundador, ao lado do pastor presbiteriano Jaime Wright, do projeto Brasil: Nunca Mais, que reuniu documentos oficiais sobre o uso da tortura no Brasil.

Sua história, contada em dois livros lançados pelo jornalista Ricardo de Carvalho, O Cardeal e o Repórter e O Cardeal da Resistência, chegará às telas do cinema com o filme Coragem – As muitas vidas de dom Paulo Evaristo Arns. Dirigido por Carvalho, o documentário – coproduzido pela Globo Filmes e o primeiro a ser feito sobre o arcebispo – retrata sua resistência ao regime militar e está prestes a ser concluído.

PT na Câmara, com El País

Foto: Reuters

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