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Pressão de Temer a favor de Geddel por obra irregular pode levar a impeachment, diz líder do PT

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O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), disse hoje (24) que a Bancada do PT na Câmara vai solicitar à Polícia Federal cópia do depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, no qual ele envolve diretamente o presidente usurpador Michel Temer em lobby para facilitar a liberação de uma obra irregular de interesse do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Segundo o líder, o depoimento será submetido a uma análise de juristas renomados. “Identificado o crime de responsabilidade, o caminho é a abertura de um processo de impeachment de Temer. O governo Temer derrete”, afirmou o parlamentar. 

Segundo Florence, as bancadas de oposição na Câmara e no Senado vão continuar atuando unidas para apurar o caso Geddel, “que agora ficou muito mais grave, com o envolvimento de Temer nas denúncias”. Calero, em depoimento à Polícia Federal, disse que Temer o “enquadrou” no intuito de encontrar uma “saída” para a obra de interesse de Geddel.

Trata-se do empreendimento La Vue Ladeira da Barra, embargado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Calero pediu demissão do cargo na semana passada, após acusar Geddel de “pressioná-lo” para que o órgão de patrimônio vinculado ao Ministério da Cultura liberasse o projeto imobiliário onde o ministro adquiriu uma unidade, cujo valor é acima de R$ 2,5 milhões.

As bancadas do PT na Câmara e no Senado, juntamente com outros partidos de oposição ao governo golpista, já acionaram a Procuradoria-Geral da República e a Comissão de Ética da Presidência da República para a apuração das denúncias. Foram feitos também requerimentos de convocação de Geddel para depor em comissões temáticas da Câmara, mas o governo Temer mobilizou na quarta-feira (23) uma verdadeira tropa de choque parlamentar para rejeitar os requerimentos assinados pelo deputado Jorge Solla (PT-BA).

Em trecho divulgado hoje do depoimento de Calero à PF, fica clara a participação de Temer na manobra para facilitar a liberação de uma obra ilegal em Salvador (BA). “Que na quinta (17) o depoente foi convocado pelo presidente Michel Temer a comparecer no Palácio do Planalto; que nesta reunião o presidente disse ao depoente que a decisão do Iphan havia criado ‘dificuldades operacionais’ em seu gabinete, posto que o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado; que então o presidente disse ao depoente para que construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU [Advocacia-Geral da União], porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução”, disse Calero, segundo a transcrição do depoimento enviado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Em seguida, o ex-ministro da Cultura afirma que Temer encarava com normalidade a pressão de Geddel, articulador político do governo e há mais de duas décadas amigo do presidente da República. “Que, no final da conversa, o presidente disse ao depoente ‘que a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão'”, prossegue Calero. Na sequência, o ex-ministro afirma que se sentiu “decepcionado” pelo fato de o próprio presidente da República tê-lo “enquadrado”. “Que então sua única saída foi apresentar seu pedido de demissão”, declara Marcelo Calero.

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Equipe PT na Câmara com agências
Foto: Salu Parente/PTnaCâmara

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