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Tropa de choque do governo golpista de Temer impede convocação de Geddel para se explicar ao Parlamento

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A tropa de choque do governo golpista de Michel Temer – sob o comando dos deputados Hugo Mota (PMDB-PB) e André Moura (PSC-SE), que até bem pouco tempo faziam a defesa incondicional de Eduardo Cunha – promoveu nesta quarta-feira (23) uma verdadeira blindagem ao ministro Geddel Vieira (Secretaria de Governo) na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. A base governista não só derrubou, por 17 votos a três, o requerimento de convocação de Geddel como derrotou, em votação simbólica, o requerimento que convocava o ex-ministro Marcelo Calero (Cultura), autor das denúncias contra Geddel.

Na comissão, os defensores de Geddel – ávidos por agradar o Planalto, colocando a Câmara dos Deputados de joelhos diante do Executivo golpista – abusaram do uso de suavizações e panos-quentes. Pressão e achaque viraram “diálogo normal”; crime se transformou em “situação comum”; crise política ganhou o nome de “questão superada” e denúncia grave foi travestida de “página virada”. Tudo isso para amenizar as acusações de Calero de que Geddel em conversas telefônicas e em encontros pessoais o pressionou para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) alterasse um parecer técnico contrário à construção de um prédio em área tombada, em que Geddel teria um apartamento.

O deputado Jorge Solla (PT-BA), autor dos requerimentos de convocação do ministro e do ex-ministro, classificou como grave a situação de achaque em que Geddel quis usar sua posição no governo em benefício próprio. “Não interessa se ele é dono de um apartamento, se apenas assinou uma promessa de compra e venda ou se é um dos sócios do empreendimento. Independentemente da situação, ele cometeu um crime. Então, é importante que ele venha aqui falar o que realmente aconteceu, que venha aqui confessar, já que ele disse se tratar de uma coisa normal”, argumentou o deputado, fazendo referência às explicações dadas por Geddel à imprensa de que as conversas de fato aconteceram, mas que não houve pressão.

Na verdade, segundo o que disse Calero à imprensa, foram justamente as pressões que motivaram sua saída do governo na última sexta-feira (18). Ao falar da exoneração do ex-ministro da Cultura, a deputada Erika Kokay (PT-DF) traçou um diferencial marcante entre a postura do governo golpista de Temer e a do governo da presidenta Dilma Rousseff. A parlamentar mostrou que na administração petista os envolvidos com corrupção saiam do governo, enquanto no governo usurpador os ministros que denunciam e tentam investigar a corrupção é que são mandados embora.  

Ela mostrou que o caso de Calero é o segundo a se encaixar nessa definição. O primeiro ocorreu com o ex-advogado-geral da União Fábio Medina, que foi demitido por discordar da tentativa do governo em abafar a Lava Jato. À época da sua saída, disse que começou a se indispor com figuras do governo quando pediu que empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras devolvessem dinheiro aos cofres públicos e quando manifestou que pretendia mover ações de ressarcimento de dinheiro desviado por políticos, alguns da base do governo.

“No governo golpista, funciona tudo ao contrário. Quem é contra a corrupção sai do governo. E quem é a favor fica. E, mesmo quando acontece uma exoneração por causa de acusações, a pessoa é posteriormente promovida e vira líder do governo no Congresso Nacional”, disse Erika Kokay, fazendo referência ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), que deixou a pasta do Planejamento apenas 12 dias após assumi-la, depois da divulgação de áudios em que aparece sugerindo um acordo para barrar as investigações contra políticos. Há menos de uma semana, Jucá foi oficializado como líder do governo golpista no Congresso.

Diante da postura da tropa de choque do governo para salvar Geddel de se explicar ao Parlamento, o deputado Paulão (PT-AL) disse que a base governista estava fazendo uma defesa do que era indefensável. “O que queremos é a presença do ministro nessa comissão para que ele preste esclarecimentos sobre o que aconteceu, já que a situação versa sobre a ação de um agente público, que, inclusive, guarda um histórico de ter participado do escândalo dos Anões do Orçamento”, disse o deputado.

O deputado Adelmo Leão (PT-MG) defendeu a convocação do ministro Geddel pelo fato de ele ter buscado favores para satisfazer um interesse pessoal. “Esta comissão tem que tomar uma atitude para que a gente possa dar oportunidade ao ministro, que entrou em contato várias vezes com Calero, que no nosso entendimento cometeu crime contra o interesse público”, reforçou.

Apesar dos apelos e das argumentações, a comissão derrubou os requerimentos de convocação, como vem fazendo desde que os golpistas tomaram o poder. Desde maio, a partir de manobras da base governista, a Comissão de Fiscalização, presidida pelo deputado Leo de Brito (PT-AC), tem sido impedida de convocar ministros e de pedir informações ao governo, o que faz parte das atribuições do colegiado e era comum nos governos Dilma e Lula.

PT na Câmara

Foto: Gustavo Bezerra
Mais fotos: www.flickr.com/photos/ptnacamara

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