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Parlamentares pedem à PGR que afaste Geddel por tentar vantagem indevida e pretendem responsabilizar Temer

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Deputados e senadores do PT e do PCdoB protocolaram nesta segunda-feira (21) na Procuradoria-Geral da República (PGR) representação pedindo o afastamento do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) de suas funções por fortes indícios de infrações penais e administrativas. Os parlamentares solicitam que seja instaurada ação penal para apurar possíveis crimes cometidos pelo peemedebista (braço direito do presidente golpista Michel Temer), a partir das denúncias do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de que Geddel usou sua posição no governo para conseguir vantagens pessoais. Calero, que pediu exoneração na última sexta-feira (18), também disse ter levado o caso a Temer.

Em reportagem publicada no último sábado (19), na Folha de São Paulo, Calero contou que Geddel o procurou cinco vezes, por telefone e pessoalmente, fazendo pressão para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), subordinado ao Ministério da Cultura, liberasse o projeto imobiliário “La Vue Ladeira da Barra”, próximo a uma área tombada em Salvador. O ex-ministro disse que, logo depois que assumiu o cargo, em junho de 2016, Geddel passou a lhe procurar apontando como absurda a decisão do Iphan, de ter pedido a adequação do empreendimento, argumentando que tal decisão deveria ser revista.

Os parlamentares asseguram que Geddel, além de se utilizar do cargo público que exerce para patrocinar interesse privado, exigiu vantagem indevida. “O problema é o uso da administração pública para interesses pessoais e a pressão política feita por Geddel ao ex-ministro da Cultura. A entrevista concedida por Calero à Folha de São Paulo traz evidências de que ele foi muito pressionado. Portanto, são fatos que devem ser investigados. É mais um ministro do governo Temer que sai fazendo denúncias. O ex-ministro da AGU [Fábio Medina] saiu dizendo que estava sendo proibido de investigar ações de ministros de Temer com possíveis envolvimentos com a Lava Jato”, detalhou o líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA).

Diferentemente do que pleiteava Geddel, o Iphan emitiu recentemente novo parecer pedindo a suspensão da obra e reafirmando a necessidade de readequação do projeto. Estima-se que os apartamentos do “La Vue”, que tem vista para a Baía de Todos os Santos, custem em média R$ 2,6 milhões. O empreendimento está sendo erguido ao lado de áreas tombadas pelo patrimônio histórico, como o Cemitério dos Ingleses, o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra. De acordo com o projeto original, o prédio deve chegar a 30 andares com 107 metros de altura. Segundo o último parecer do Iphan, “Le Vue” deveria ter no máximo 13 andares.

“Geddel queria resolver o problema de um imóvel que não podia ser construído. Ele queria autorização do governo federal porque ele tem um apartamento lá. Quando o ministro Calero disse que Temer tinha conhecimento e não fez nada, está nítido que o presidente sabia da ação que Geddel vinha desenvolvendo e também tinha conhecimento da sua própria responsabilidade, e não tomou nenhuma providência. Vamos entrar na Comissão de Ética da Presidência da República instando apreciar a responsabilidade do presidente Temer nesse e em outros temas”, antecipou o líder do PT.

PT na Câmara

Foto: Salu Parente

 

 

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