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Adoradores de Sergio Moro invadem plenário da Câmara e revelam viés fascista

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Parlamentares da Bancada do PT na Câmara manifestaram indignação e exigiram uma investigação para apurar a responsabilidade dos responsáveis pela invasão ao plenário da Casa ocorrida no início da tarde desta quarta-feira (16). O grupo de aproximadamente 60 pessoas invadiu o local gritando palavras de ordem como “Viva Sérgio Moro” e “queremos intervenção militar”, interrompendo a sessão plenária e agredindo verbalmente deputados. Para chegar até o plenário, eles entraram no Salão Verde como visitantes, quebraram a porta de vidro e renderam os seguranças. Chegaram a subir na mesa e a retirar a Bandeira do Brasil, que foi jogada no chão.

A retirada do grupo só foi concluída pela polícia legislativa quase três horas após o início da invasão. Reestabelecida a ordem, a deputada Erika Kokay (PT-DF) defendeu uma investigação sobre o que chamou de “demonstração de fascismo”. Para a parlamentar petista, há possibilidade de uma articulação dentro da Câmara para a invasão. “É preciso que esta Casa investigue. Inclusive porque dificilmente teríamos uma manifestação com pessoas de todos os lugares do Brasil – havia gente de Pernambuco, de São Paulo, ou seja, de todos os lugares do Brasil – se não houvesse uma articulação, e uma articulação que pode estar dentro desta Casa”, afirmou.

“Vimos aqui a expressão de uma ‘fascistização’ que estava contida pelo peso da democracia. A ruptura democrática faz com que ela venha com esta expressão de ódio, e o discurso não é inocente. Discurso também mata. Alguns achavam que o golpe impetrado no País ficaria circundado. Não fica. Ele vai corroendo o tecido da democracia e o tecido dos direitos. É o que nós estamos vendo neste País”, ressaltou a parlamentar petista.

Ainda de acordo com Erika Kokay, “tem sido imposta ao País uma agenda que é uma agenda derrotada nas urnas nas últimas quatro eleições. Mas ela vem com muito fascismo. O que nós vimos aqui no dia de hoje foi fascismo, foi um profundo ódio, ódio com o diferente, ódio com os partidos de esquerda. Não é apenas ato de invadir, de quebrar uma porta, mas, fundamentalmente, é a fala. A fala foi de fechamento do Parlamento, porque a fala foi a de que vocês não nos representam. Portanto, há que se fazer uma investigação”, ressaltou a petista.

Para o deputado Jorge Solla (PT-BA), a invasão ao plenário extrapolou qualquer limite possível de conciliar com o Estado democrático de direito. Jorge Solla reiterou também que não se entende como os invasores conseguiram ultrapassar as barreiras da segurança da Câmara. “Porque o que temos visto por aqui é índio sendo espancado na porta da Câmara, sindicalista sendo alvo de gás de pimenta, estudante sendo barrado, agentes comunitários sendo proibidos de entrar. Então, como essas pessoas hoje conseguiram ultrapassar essas barreiras? Por que as mesmas barreiras que impediram sindicalistas, índios, estudantes de entrar na Casa, não foram suficientes para impedir as pessoas que invadiram hoje o plenário? Como essas pessoas conseguiram burlar a segurança?”, questionou o petista.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) classificou a invasão como uma ação de um grupo radical de extrema direita. “Assistimos a um fato lamentável. Esse grupo com objetivo fascista de tentar impedir os trabalhos desta Casa e que vem, inclusive, pedir a intervenção militar. É o autoritarismo, a visão ditatorial que quer prevalecer e impedir que a democracia persista. Mas nós do PT queremos deixar claro que vamos continuar lutando, batalhando para que a gente tenha cada vez mais democracia, cada vez mais direitos democráticos de opinião, de manifestação para todo o povo brasileiro”, enfatizou.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) classificou a invasão como uma ação organizada para colocar em xeque o Parlamento brasileiro e a democracia brasileira. “Vivemos aqui a tentativa de um golpe, não contra o Poder Executivo, mas contra o Poder Legislativo. Não podemos tratar como uma questão qualquer o que aconteceu aqui hoje. É algo muito grave para a história do País, para este Parlamento e para esta democracia. Eu acho que nós temos que investigar até as últimas consequências para identificar os mandantes dessa tentativa de golpe”, afirmou Paulo Pimenta.

O deputado Ságuas Moraes (PT-MT) lamentou a forma truculenta com que o plenário da Câmara foi invadido. “Esta Casa foi invadida hoje por pessoas que não acreditam na democracia, que vieram pregar aqui mais do que um golpe de Estado. Vieram pregar aqui a ditadura militar, porque eles anunciaram isso aqui, e sabemos o preço que o nosso País pagou nesse período da ditadura militar”, disse.

O deputado Paulão (PT-AL) defendeu uma investigação “para responsabilizar os vândalos” que invadiram a Câmara. “O que não podemos é deixar de apurar. Isso é muito estranho, porque adentrar esta Casa, principalmente os homens, sem gravata, a segurança não deixa. É muito estranho que vários tenham adentrado o plenário sem gravata. Espero que algum parlamentar aqui não tenha articulado esse processo que mancha a história da democracia”, afirmou.

O deputado Pepe Vargas (PT-RS) classificou como “absurda” a invasão ao plenário. “O Parlamento brasileiro, como qualquer Parlamento, tem que ser o espaço do diálogo, do debate, da participação. Entretanto, ocupar a Mesa Diretora, impedir o normal funcionamento da Casa, de fato, é um absurdo que precisa ser severamente combatido”.

Na avaliação do deputado Caetano (PT-BA), “é preciso que o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), tome uma posição enérgica em defesa da democracia, em defesa do Parlamento, em defesa da sociedade brasileira. Não podemos aceitar no Brasil nenhum radicalismo ao ponto de haver intervenção nas instituições e, consequentemente, em qualquer setor da sociedade, como a violência que foi praticada aqui hoje contra a democracia brasileira por grupos extremistas”, destacou.

Também o deputado Leo de Brito (PT-AC) enfatizou que “as pessoas que invadiram a Câmara não têm compromisso nenhum com o Brasil nem com a democracia brasileira. O que aconteceu aqui, nesta tarde, foi um fato de extrema gravidade e assim deve ser tratado”.

Gizele Benitz

  • Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

  • Ouça a Deputada Erika Kokay e o deputado Jorge Solla na Rádio PT 

 

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