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“Provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso”, diz Lula

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Durante mais de uma hora, o ex-presidente Lula discursou hoje (15) em tom indignado e deixou um “aviso”, como ele mesmo definiu, aos brasileiros: “Não tenho tempo de parar, o país que eu sonho está longe de ser construído. Crescemos apenas um degrau na escala social deste país, e agora eles [os golpistas] estão tirando [essas conquistas]”. A fala de Lula foi uma resposta às acusações sem provas dos procuradores do Ministério Público Federal responsáveis pela Lava Jato que, ontem (14), protagonizaram um show grotesco de ilações, sem a materialidade dos crimes atribuídos ao ex-presidente. “Provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso”, disse.

Lula deixou claro que permanece de pé e pronto para a luta, apesar de todas as injustiças e acusações sem provas. Mostrou que não adianta combatê-lo para destruir um projeto de Brasil que tirou milhões da miséria, que aumentou a autoestima dos brasileiros e que transformou o País em uma referência internacional. Hoje, segundo Lula, o futuro desse projeto está representado na juventude que permanece aguerrida lutando por um Brasil menos desigual e mais solidário. “Essa molecada é o Lula de quase 71 anos multiplicado por milhões de jovens nesse País”.

O ex-presidente foi enfático ao dizer que os seus acusadores, juntamente com uma parte da imprensa brasileira, estão mais enrascados e mais comprometidos do que pensavam que ele – Lula – estaria. “Construíram uma mentira, e, como numa novela, o enredo está caminhando para o fim”, comentou. Ele lembrou que já “elegeram indiretamente” Michel Temer presidente e já cassaram o mandato legitimamente conferido à Dilma Rousseff. Mostrou que o “gran finale” da trama seria sua condenação. “Agora precisa acabar a novela. Quem é o bandido e quem é o mocinho? Precisa dar o fecho”.

“Me dedicaram um apartamento que eu não tenho, me dedicaram uma chácara que não é minha, me dedicaram até a responsabilidade de ser o comandante maior de todo o processo de corrupção da Petrobras. Disseram: ‘não tenho prova, mas tenho convicção’. Eu tenho convicção de que quem mentiu está numa enrascada. Tenho convicção de que os setores da imprensa que mentiram vão ter que construir uma versão para sair dessa encalacrada. Se não querem sair, continuem me atacando, eu estarei aqui, sem ficar com raiva”, afirmou Lula.

Mesmo acusado injustamente e exposto em rede nacional mais uma vez, o ex-presidente se mostrou determinado. “Quem vai perder o sono é quem acha que eu vou perder o sono. Continuem escrevendo, continuem falando. A história mal começou, alguns pensam que ela terminou. E eu ainda vou viver muito. Estou com 70 anos com vontade de viver mais 20. Estou me preparando fisicamente. Estou inteiro. E não importa que seja só mais um ano [de vida], um mês, um dia, um minuto… Esse minuto eu quero dedicar para fazer o povo brasileiro sentir que é possível fazer um país melhor”, disse em tom emocionado.

Perseguição – Lula criticou de forma veemente a perseguição emplacada por setores da Justiça, do Ministério Público e da mídia desde que o PT assumiu o poder. Lembrou que logo que se tornou presidente havia uma torcida para que seu governo fracassasse e que nos idos de 2005 tentaram fazer com ele o que fizeram recentemente com a presidenta Dilma. “Tenho consciência de que o meu fracasso teria agradado os meus adversários, o meu fracasso não teria despertado tanto ódio contra o PT. O que despertou essa ira foi o sucesso do nosso governo”.

Lula cobrou mais responsabilidade das instituições. Disse que, ao mesmo tempo em que precisam ser fortalecidas, elas devem responsabilidade. Porém, disse que existe uma lógica invertida atualmente no País. “Hoje, vivemos um momento no Brasil em que a lógica não é mais o processo, não são mais os autos do processo, a lógica é a manchete: ‘quem é que vamos criminalizar pela manchete? Quem é que vamos demonizar pela manchete?’ E isso vem acontecendo desde 2005”, protestou.

Lula também reafirmou sua inocência. Disse nunca ter imaginado que iria passar pela exposição da tarde de ontem, diante do anúncio de que o Ministério Público iria expor as provas dos crimes dos quais ele é acusado. “Eu só não compreendo como é que você convoca uma coletiva, gastando dinheiro público num hotel, montando uma estrutura para apresentar a prova de um crime. E diz: ‘não tenho prova, tenho convicção’”, reforçou.

“Vou prestar quantos depoimentos forem necessários. Podem me chamar que eu estarei lá. Eles não estão acostumados com um cidadão que a única coisa que tem orgulho é de ter conquistado o direito de andar de cabeça erguida neste País”, comprometeu-se.

Ao fim do discurso, disse que seu objetivo era falar ao povo pobre, que agora sofre as ameaças de perder todas as conquistas dos últimos anos. “Eu tenho uma máxima. Se a gente quiser resolver o problema do Brasil, é só incluir o pobre no orçamento. Pobre não é problema é solução neste País”. Por último deixou outro aviso: “Não pensem que estou sofrido, estou orgulhoso de saber que a perseguição a mim é por causa das coisas boas que fizemos neste País”.

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PT na Câmara

Ricardo stuckert/Instituto Lula

 

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