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Boicote à comissão é parte de operação abafa dos golpistas, denunciam deputados

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O governo ilegítimo de Michel Temer não age com transparência ao boicotar, de forma sistemática, os trabalhos da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC). Esse é o entendimento do presidente da comissão, deputado Leo de Brito (PT-AC) e dos deputados da Bancada do PT que integram o colegiado. Para os petistas, o desrespeito e o medo de ser fiscalizado levam a base governista a esvaziar as reuniões do colegiado. 

“É um desrespeito com o parlamento. Isso fica ruim para a imagem do governo porque não temos precedentes aqui de um governo que não quer votar as pautas e que não demonstra transparência a partir do momento em que ele não quer ser fiscalizado”, denunciou Leo de Brito. Ele ainda disse que o governo deliberou em pelo menos três reuniões que iria promover o esvaziamento do colegiado.

Para o presidente da comissão, ficou clara a falta de compromisso do líder do governo, deputado André Moura (PSC-SE) ao não cumprir um acordo que permitiria à base do governo exercer as funções para as quais eles foram delegados. “Estive como o líder do governo conversando sobre a situação e ele disse que o governo estaria presente nas reuniões, que iria votar e derrotaria os requerimentos que não fossem de interesse do governo. Infelizmente, nem esse acordo foi cumprido. Na verdade, é um verdadeiro desrespeito a esta comissão”, acusou.

Indignado com a situação, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) observou que a ausência da base governista nas reuniões da comissão equivale a uma confissão pública da conduta do governo golpista. Ele ainda a classificou de “covardia absoluta”. Para o deputado, não há dúvida que essa postura tem clara relação com a denúncia feita, na semana passada, do Advogado-Geral da União, Fábio Medina Osório demitido por Michel Temer.

“Ele (Osório) torna público a pressão que sofreu para que não desse sequência às iniciativas que ele estava adotando para investigar a Lava Jato para buscar o ressarcimento de recurso de R$ 23 bilhões desviados da Lava Jato”, denunciou Pimenta

Segundo o deputado, o número um da AGU também estava adotando medidas para identificar agentes públicos do governo beneficiados pela Lava Jato e, por isso, foi pressionado por Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil e pelo próprio Michel Temer. “Isso torna cristalino o porquê da ausência do governo aqui na comissão. Ele não quer que Fábio Medina Osório venha a esta comissão”, revelou Paulo Pimenta.

“Eu denuncio a covardia desse governo, a covardia de seus representantes, a omissão de seus parlamentares que tentam nos impedir de exercer de maneira plena uma função nossa, que é fiscalizar esse governo”, frisou o deputado.

Como forma de resolver essa questão, Paulo Pimenta sugeriu a formalização de uma denúncia junto ao Ministério Público Federal para que as graves denúncias do ex-advogado da AGU sejam investigadas.

“Até agora há um silêncio constrangedor do procurador da República, Rodrigo Janot. Nenhuma manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF). Nós devemos provocar a PGR para que responda ao povo brasileiro o que fará diante da gravidade dessa denúncia”, afirmou.

Na avaliação do deputado Jorge Solla (PT-BA), o que está ocorrendo na CFFC não é uma mera obstrução pontual. “Claro que os parlamentares que apoiam o governo golpista querem inviabilizar o funcionamento dessa comissão”. Solla também sugeriu que os parlamentares que não compactuam com o método do governo golpista que usem o plenário da Câmara e denunciem a tentativa do governo Temer de inviabilizar os trabalhos da comissão.

O deputado Paulão (PT-AL) defendeu o papel da comissão quando ela apresenta um requerimento de convocação para ouvir o autor de uma denúncia gravíssima do ex-advogado-geral da União. “Ele relata que o governo golpista vai fazer uma operação abafa em relação à lava-jato. O que a gente estranha é que o Ministério Público deveria dar maior celeridade para apurar a denúncia e silencia”.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) também condenou a ausência dos “arautos da moralidade” “Os campeões do combate à corrupção, aqueles – que subiam a Tribuna para declarar o voto de admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma, em nome do combate à corrupção. Não estou vendo nenhum deles aqui”, ironizou o deputado, lembrando ser esse um momento ímpar para a base governista contribuir para a apuração da denúncia feita pelo ex-advogado da AGU.

“É uma denúncia gravíssima, que não foi feita por qualquer um. Não foi feita por um petista. Não foi feita por um oposicionista do Governo. Foi feita por alguém que tem formação jurídica, que sabe das consequências de uma acusação leviana, de uma acusação sem suporte. De fato, antes da indignação, me causa estranheza ausência desses arautos da moralidade”, estranhou Damous.

Requerimentos – Wadih Damous apresentou requerimentos à Comissão Especial de Combate à Corrupção para a convocação da atual advogada-Geral da República, Grace Mendonça para que compareça à Câmara e esclareça as denúncias feitas pelo seu antecessor. No outro requerimento, o deputado sugere que a comissão convide o ex-advogado-geral da União, Fábio Medina Osório para explanar sobre as denúncias feitas na semana passada.

Benildes Rodrigues
Foto: Gustavo Bezerra/Salu parente/PTnaCâmara

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