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Verborragia politiqueira do líder do governo golpista na Câmara é denunciada por Erika Kokay

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erika 01 09 16 lucio bernardo jr

 

 

A deputada Erika Kokay (PT-DF)denunciou na tribuna, nesta quinta-feira (1º), a verborragia politiqueira do líder do governo golpista na Câmara, André Moura (PSC-SE), durante comício no interior de Sergipe. Moura, que é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de homicídio, fraude em licitações e improbidade administrativa, afirmou, em atividade da campanha de sua esposa à prefeitura de Japaratuba, que é “o único cara de Sergipe no meio de dois milhões de sergipanos” que “vai distribuir onde vão ser construídas” quatro mil casas populares.

“O líder do governo André Moura esteve num comício apoiando sua esposa que é candidata à prefeita no município de Japaratuba e lá ele disse o seguinte que que está gravado: ‘Dos 513 [deputados], Sergipe que é o menor estado da Federação, tem apenas oito deputados. E no menor estado da Federação, no município chamado Japaratuba, tem o único deputado que é líder do governo do presidente da República, que é André Moura. E agora eu quero dizer que aquilo que o povo de São José e de Japaratuba sonhar vai se transformar em realidade. Porque agora o que você quiser eu boto recurso aqui pra você fazer. Se é ambulância, vai ter. Se é posto de saúde, vai ter. Se é educação, vai ter. Se é asfalto, vai ter. Se é casa popular, nós vamos agora construir, o governo federal, o presidente da República, que eu sou o líder, vai construir 70 mil casas populares no Brasil agora. Dessas 70 mil, quatro mil vão ser para Sergipe. E sabe quem é o único cara de Sergipe no meio de dois milhões de sergipanos que existem – o único, um – que vai distribuir aonde vão ser construídas essas quatro mil casas? André Moura. Fazer o quê? Doa a quem doer!’, disse isso o líder de Temer, porque ‘quem pode é André Moura’. Tem fitas gravadas que estão circulando. Isso é honestidade? Isso é República?”, questionou Erika Kokay.

“Ao saber destas declarações do deputado André Moura, líder do governo golpista de Temer, não me diga que não há corrupção porque os corruptos estão assumindo o Palácio do Planalto, pisoteando a democracia e as eleições. Se existe insatisfação, disputem as eleições e ganhe nas urnas que é a única forma legítima de se chegar ao governo. E repito, golpistas, golpistas, golpistas. Temer golpista e aliado com o que há de mais corrupto e nefasto”, complementou a parlamentar de Brasília, que se referiu à consumação do golpe no Senado como um “espetáculo do cinismo”.

Golpe – A deputada do PT confrontou as ameaças do presidente Temer de reprimir todos que o chamarem de golpista. “Golpe, golpe sim. Por mais que o presidente golpista não queira admitir a liberdade de manifestação e tenha jogado para fora as garras de seu autoritarismo ao dizer que não suportará e não permitirá que se chame o seu governo de golpista eu digo e repito, golpista, golpista porque não houve crime de responsabilidade. É golpe, golpe que substituiu as botas pelos sapatos de couro fino, as fardas por paletós, via de regra muito apertados, é golpe. Tanto é golpe que o Senado que fez este espetáculo de cinismo inocentou Dilma Rousseff, que continua habilitada para o exercício da vida política, para o exercício de cargos públicos”, reiterou.

A parlamentar do PT cobrou coerência daqueles que criticam os governos do PT, mas apoiam o golpista Michel Temer que, segundo delação premiada, recebeu R$ 10 milhões em propina. Erika Kokay reiterou que o combate à corrupção foi efetivado apenas nos governos Lula e Dilma com a autonomia da Polícia Federal (PF).

“A presidenta Dilma disse em seu discurso no Senado e quero reiterar. Ninguém trabalhou mais pelo combate à corrupção do que os governos do PT. Ninguém deu mais autonomia à Polícia Federal do que os governos do PT. Nestes 13 anos foram realizadas mais de três mil operações e em contrapartida em oito anos do governo de Fernando Henrique Cardozo foram realizadas apenas 39 operações. Pasmem! Porque no governo FHC as investigações não prosseguiam, porque os governos tucanos criavam uma estrutura para impedir que houvesse verdadeiro ataque à corrupção. Ninguém deu tanta autonomia ao Ministério Público como os governos do PT, reconhecido pelo ex-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que dizia que Lula e Dilma foram estadistas no que diz respeito à Procuradoria-Geral da República”, lembrou a petista.

Na avaliação de Erika Kokay os golpistas desmerecem o povo brasileiro. “Acreditar que a corrupção surgiu durante os governos Lula e Dilma é apostar na ignorância do povo brasileiro. Mas o povo não é ignorante. Tanto assim que durante quatro eleições seguidas derrotou o programa que será implementado neste país pelas asas do golpe. Sim, porque o golpista Michel Temer não chegaria ao poder. A presidenta Dilma foi arrancada do poder por aqueles que não têm como disputar uma eleição e serem vitoriosos para impor seu programa”.

Aliás, acrescentou Erika Kokay, “um dos grandes construtores do governo golpista teve que ser arrancado do Ministério do Planejamento, uma semana após ser nomeado pelo golpista Temer, porque o Brasil inteiro escutou uma fita onde ele [Romero Jucá] dizia: vamos tirar Dilma porque precisamos estancar a Operação Lava Jato, senão ela vai nos atingir. Então, quem são esses que agora assumem as estruturas de poder para dizer que Dilma não pode ocupar o poder? Estes que ocupam o poder nas asas do golpe estão indiciados, alguns são réus e respondem a processo por corrupção. E isso, graças à Operação Lava Jato, que só existe porque a Polícia Federal adquiriu autonomia nos governos Lula e Dilma”.

Na avaliação de Erika Kokay, o Estado brasileiro está sendo rifado e ela criticou a postura de parlamentares que apoiam o golpe. “O Estado está sendo colocado em uma bandeja de prata e entregue aos pedaços em troca de um impeachment. Ou não foi assim a fala do senador Hélio José (PMDB-DF) que disse que a Secretaria de Patrimônio da União era dele e que, se quisesse, nomearia até uma melancia. Ou não foi assim que foram mudados os votos, de acordo com o que era publicado no Diário Oficial, estruturas de poder repartidas de forma escondida e obscura para segurar o impeachment”, criticou a deputada.

“Capitanias hereditárias modernas.  Me lembra Bismarck quando diz:  se o povo soubesse como são feitas as salsichas e as leis… e eu diria, se o povo soubesse, e saberá, como são feitas as salsichas, as leis, sim, as leis que estão sendo aprovadas nesta Câmara e que querem impor ao povo contra seus direitos. O povo elegeu a lógica de que não haveria nenhum direito a menos, e agora se diz vamos mexer na Previdência, nos direitos dos trabalhadores. Aliás, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, um dos construtores do golpe chegou a defender 80 horas semanais para os trabalhadores”, afirmou.

Assista ao vídeo com o discurso completo da deputada Erika Kokay:

Gizele Benitz
Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Câmara

 

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