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Nobel da Paz diz que Brasil é exemplo e deve liderar combate ao trabalho infantil no mundo

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Dilma KailashSatyarthi

O ativista indiano Kailash Satyarthi, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2014 pelo seu trabalho para a erradicação do trabalho infantil e contra o trabalho escravo, afirmou que o Brasil tem todas as condições de encabeçar uma conferência global, a fim de propor uma agenda abrangente sobre as questões de interesse das crianças. Ele afirmou que esse foi um dos principais temas da conversa que teve com a presidenta Dilma Rousseff na quinta-feira (4), em Brasília.

“Durante 15 anos a fio, o número de crianças trabalhando no Brasil vem caindo de forma notável. Sempre fui um grande admirador da sociedade brasileira e do Brasil como País. Particularmente do sucesso das instituições democráticas, da democracia, dos mecanismos de instituições que o Brasil têm implementado e que têm servido de modelo para todo o mundo”, destacou.

O ativista elogiou também o Bolsa Família. Para ele, foi o programa de transferência de rende que promoveu a saúde, reduziu a pobreza aguda, o trabalho infantil e o analfabetismo nos últimos 12 anos de forma notável.

“Isso foi possível graças ao forte papel desempenhado pela sociedade civil. Mas também por causa de iniciativas inovadoras, como Bolsa Escola e depois o Bolsa Família no Brasil. Essas iniciativas não só reduziram o número de crianças trabalhando propriamente, mas também criaram a confiança de que o Brasil, a América Latina, o mundo, os governos, a sociedade civil, podem, atuando ombro a ombro, em conjunto e com empenho e compromisso, efetivamente erradicar e reduzir a zero o trabalho escravo. Isso foi possível, neste País, indubitavelmente, graças às lideranças do presidente Lula e da presidenta Dilma”.

O indiano disse estar muito impressionado com o interesse da presidenta Dilma acerca dos assuntos internacionais referentes à infância, como violências contra as crianças, analfabetismo, fome, pobreza e trabalho infantil. “Discutimos sobre como o crescente poder e o papel dos países em desenvolvimento, como aqueles agregados sob o bloco dos Brics, podem efetivamente dar um exemplo a todo o mundo sobre como a agenda de combate ao infantil pode ser alavancada e beneficiar iniciativas afins.”

E enfatizou que a “boa nova” é que todas as principais questões relacionadas às crianças de todo o mundo estão agora incorporadas e refletidas nos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS). “Assim, pela primeira vez na história, as questões relativas às crianças, tais como trabalho infantil, escravidão moderna, tráfico e violência contra as crianças, qualidade da educação e educação inclusiva para todas as crianças do mundo encontraram um espaço no âmbito dos atuais Objetivos do Desenvolvimento Sustentáveis”, comemorou.

Satyarthi disse ainda que agora quer ver o Brasil à frente de uma iniciativa para que os países adotem uma abordagem holística, ampla e abrangente, de forma a traduzir essas políticas em iniciativas nos âmbitos nacionais e globais. Ele lembrou que, até o fim do ano 2000, o número de trabalhadores infantis em escala global vinha aumentando, chegando a um pico de 260 milhões, aproximadamente. Agora esse número caiu para 168 milhões de trabalhadores. Nesse mesmo período, o número de crianças fora da escola, que no ano 2000 somava cerca de 230 milhões, também caiu para 59 milhões em escala global.

Blog do Planalto

Foto: Lula Marques

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