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Diplomacia brasileira abriu caminho para acordo com Irã

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Neste fim-de-semana, a Agência Internacional de Energia Atômica confirmou que o Irã está cumprindo os termos do acordo nuclear firmado com os Estados Unidos em julho do ano passado. Essa notícia fortaleceu a perspectiva de pacificação das relações entre os países do Oriente Médio e com o ocidente: por um lado, há menos apreensão internacional em relação ao aumento do arsenal atômico na região; por outro, foram levantadas as sanções econômicas que penalizavam toda a população iraniana e reestabelecidas relações diplomáticas normais.

As bases do acordo histórico entre EUA e Irã, porém, foram estabelecidas com ajuda brasileira. Em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu então ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, com ajuda do governo da Turquia, montaram a primeira sugestão de acordo entre Irã e potências ocidentais sobre o enriquecimento de urânio, de forma a permitir que o país pudesse seguir produzindo material radioativo apenas para fins pacíficos, como geração de energia e uso clínico. Esse documento se chamava Declaração de Teerã, e, de acordo com Celso Amorim, era mais avançado que a versão aprovada agora.

“São duas coisas diferentes, mas dois pontos podem ser considerados: a perda de tempo e o fato de o acordo atual partir de uma situação pior”, avaliou Amorim em entrevista ao jornal O Globo, em abril de 2015, sobre as diferenças entre o acordo proposto pelo Brasil há cinco anos e o atual. “A Declaração de Teerã era uma porta de entrada para se discutir um acordo mais amplo. Acho que teria poupado o mundo muito tempo de insegurança e muito tempo em que o temor de guerra e de ataque era real. Teria começado muito antes, partido de uma base melhor dependendo de como o acordo fosse negociado e ganharíamos tempo. A quantidade de urânio seria muito menor, portanto o problema seria muito menos complexo do ponto de vista técnico. Não é que não possa ser resolvido. Ele pode ser resolvido e vai ser resolvido. Mas é mais complexo e está mais sujeito a problemas.”

O ex-ministro ressalta que, em 2010, o Irã dispunha de mil quilos de urânio enriquecido a passarem por fiscalização; em 2015, seriam já 10 mil quilos, uma exigência muito maior para a Agência Internacional de Energia Atômica.

Há cinco anos, a iniciativa brasileira para fortalecer a paz no Oriente Médio encontrou oposição daqueles que não acreditam no nosso país como protagonista da diplomacia internacional, preferindo posição subordinada aos países desenvolvidos. E protagonismo é tão importante que os mesmos Estados Unidos que não assinaram o acordo intermediado pelo Brasil hoje celebram sua negociação unilateral com Teerã como grande vitória diplomática –ao custo de cinco anos a mais de relações tensas com o Oriente Médio.

Instituto Lula

Foto: Ricardo Stuckert

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