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Comissão de Direitos Humanos retorna ao MS; tensão se agrava após ameaças a indígenas

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Deputado Pimenta com os Guarani e Kaiowá da TI Taquara, no município de Juti, em 2015. 

 

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados retornou, nesta terça-feira (19), ao Mato Grosso do Sul depois que a situação entre os Guarani e Kaiowá, da TI Taquara, e os proprietários da fazenda Brasília do Sul ficou mais tensa nos últimos dias, no município de Juti. De acordo com o presidente do colegiado, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a comitiva chegará na manhã desta quarta-feira (20) na área dos ataques contra indígenas.

No último final de semana, indígenas da TI Taquara denunciaram que foram ameaçados de morte por “homens armados”, que teriam ligação com os proprietários da fazenda Brasília do Sul, que está localizada dentro de área indígena declarada. Há 13 anos esse mesmo território foi palco de uma tragédia. Em janeiro de 2003, o cacique Marcos Verón, com 72 anos, foi assassinado. Na época, o Ministério Público Federal denunciou 28 pessoas pelo crime, entre eles, Jacinto Onório da Silva, proprietário da Fazenda Brasília do Sul, como mandante do assassinato.

Em 2010, o Ministério da Justiça reconheceu a área sob disputa como território dos Guarani e Kaiowá. Desde então, indígenas aguardam a homologação da área pelo Governo Federal.

Essa é a sexta vez que a Comissão de Direitos Humanos vai até o Mato Grosso do Sul para impedir violações contra os Guarani e Kaiowá. A última vez foi em setembro do ano passado, quando indígenas do Tekohá Guyra Kamby’i, no município de Douradina, foram atacados por grandes proprietários de terra, e o indígena Semião Vilhalva, do Tekohá Ñande Ru Marangatu, foi assassinado em terras indígenas no município de Antônio João. No Estado, existem mais de 30 áreas em conflito.

Também em 2015, o deputado Pimenta e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo foram ao estado sul-mato-grossense se reunir com lideranças do Poder Executivo estadual na tentativa de estabelecer um acordo entre indígenas e ruralistas. Dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) revelam que, nos últimos 11 anos, mais da metade dos assassinatos de indígenas no país ocorreram no Mato Grosso do Sul.

Assessoria Parlamentar

Foto: Fabrício Carbonel

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