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Luiz Couto defende democracia plena e reforma que ouça o povo

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LUIZ COUTO 01

Por ocasião da passagem dos 20 anos de morte do sociólogo paulista Florestan Fernandes, o

deputado Luiz Couto (PT-PB) fez um pronunciamento, na segunda-feira (23), em defesa do

socialismo democrático e da democracia levada às últimas consequências, de todos e para

todos.

A lembrança de Couto, além de homenagear Florestan, também serviu para fazer um

contraponto às correntes que defendem o golpe, o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e

até mesmo a volta da ditadura militar. Dizendo-se perplexo com este tipo de discurso, Luiz

Couto repudiou o que chamou de “ataques à nossa jovem e inacabada democracia”.

O deputado petista acredita ser necessário fazer um balanço do nosso sistema democrático,

seus avanços e erros e que tipo de reação pode ser adotada para afastar o perigo que ameaça a

democracia no País.

“Não há dúvidas de que existe um mal-estar generalizado com a política e esse não é um

fenômeno exclusivo do Brasil. Em diferentes países, desde o hemisfério mais desenvolvido,

passando por países sem tradição democrática, até às democracias mais jovens da América

Latina, cada vez mais pessoas percebem que há graves problemas com a política, que a política

está distante da população, que não resolve os problemas do cotidiano do povo”, admitiu Luiz

Couto.

Em sua análise, o deputado citou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, autor de dezenas de

livros como “Modernidade Líquida”. Bauman tem uma avaliação positiva da democracia

brasileira e elogiou a recente história política do Brasil, dizendo-se cheio de admiração pelo que

tem sido feito nos últimos anos no País. As citações específicas foram à guerra declarada contra

a pobreza e o salto para mais igualdade. Na visão de Bauman, os mesmos problemas que

atingem o Brasil atualmente ocorreram em países que fizeram mudanças semelhantes às

nossas.

Outro estudioso citado no discurso de Luiz Couto foi o cientista político e historiador brasileiro

Francisco Fonseca, autor, entre outros, do livro “O consenso forjado – A grande imprensa e a

formação da agenda ultraliberal no Brasil”. Mesmo reconhecendo os grandes avanços do País

na última década, ele assinala que há graves problemas no sistema político brasileiro.

Fonseca assinala que nosso sistema político é um legado estruturado no ocaso da ditadura

militar, com dois objetivos: de um lado contemplar algumas demandas democráticas, como o

pluripartidarismo, mas de outro lado, fundamentalmente manter o status quo, sendo tal

sistema incapaz de dar vez e voz aos graves problemas do cotidiano dos brasileiros, muito menos de resolvê-los.

Em seu pronunciamento, Luiz questionou se a insatisfação que desfila pelo Brasil com o

resultado das urnas se sustenta sinceramente no legítimo desejo de combater à corrupção e

aconselhou os acusadores do PT a fazer uma autocrítica e ver o filme das próprias vidas.

“Francamente, esses e essas que revelam seu ódio contra o PT, têm coragem de recapitular

como fazem a declaração do imposto de renda, a escritura de uma propriedade, um atestado

médico para justificar aquela falta no trabalho ou o relatório para serem indenizadas com uma

diária a mais? Teriam coragem de serem sinceros consigo mesmos? Acreditam na própria

mentira? Esses golpistas suportariam um exame de consciência seguido de um ato de

contrição? Não creio nisto! Não creio neles! Não creio que os golpistas queiram mesmo

melhorar o Brasil e a democracia brasileira”, declarou.

Finalmente, o parlamentar afirmou que a resposta que deve ser dada ao Brasil é a retomada

vigorosa da política, para não deixar que nenhum golpe prospere contra a democracia.

“Queiramos mais do que o absoluto respeito ao resultado das eleições. Se quisermos reinventar

a política, se queremos democratizar a democracia, capturadas pelo poder econômico e

midiático, façamos mais política no meio do povo. Se quisermos – e queremos – uma reforma

política de verdade, voltemos ao povo, façamos política com o povo”, encerrou Couto.

 

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