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Governador tucano Beto Richa é citado em e-mails apreendidos pela PF na Lava Jato

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O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), recebeu R$ 580 mil para a campanha eleitoral de 2010 de empresas investigadas pela operação Lava Jato. As doações coincidem com e-mails apreendidos pela Polícia Federal na sede da construtora Odebrecht, em São Paulo, no mês de junho deste ano. O nome do tucano Beto Richa foi citado em três e-mails trocados entre a secretária-executiva do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e secretárias de presidentes das empresas Gerdau, Bunge e Suzano.

Na troca de e-mail, a secretária-executiva da Odebrecht encaminhou o currículo de Beto Richa para as três empresas. As mensagens foram encaminhadas no dia 9 de agosto de 2010, mesmo ano em que Beto Richa concorreu pela primeira vez ao governo do Paraná.

Dezesseis dias depois dos e-mails terem sido enviados, a Gerdau doou R$ 250 mil para a campanha de Beto Richa. Outros R$ 250 mil da empresa foram para o diretório estadual do PSDB. Além disso, a Bunge também doou R$ 80 mil para a campanha do governador.

A revelação dessas doações ao governador Beto Richa, na avaliação do deputado Leo de Brito (PT-AC), integrante da CPI da Petrobras, confirma o que o PT vem denunciando há muito tempo: “As doações empresariais a partidos políticos e a campanhas eleitorais estão institucionalizadas e não dão certo, elas induzem à corrupção”. Leo de Brito fez questão de ressaltar que, por isso, “o PT historicamente foi contra as doações empresariais eleitorais”.

O deputado Leo de Brito destacou que a institucionalização fica claro no número de doações feitas pelas empreiteiras nas eleições de 2010, quando beneficiaram 14 partidos políticos. E as doações subiram para 18 partidos políticos nas últimas eleições.

“E o mais grave nisso tudo é que a oposição, o Ministério Público e parte da grande mídia ficam na hipocrisia de querer criminalizar o PT. Eles consideram as doações eleitorais registradas e reconhecidas nos tribunais eleitorais feitas ao partido como fruto de propina, ao mesmo tempo em que consideram doações que vão para os demais partidos com doações ideológicas ou afetivas”, criticou Leo de Brito.

Intermediação – Sobre os e-mails e currículo do tucano encaminhados pela Odebrecht a outras empresas, Leo de Brito considera que configura a intermediação da empreiteira. Ele disse que o fato merece uma atenção a CPI da Petrobras, uma vez que a Odebrecht é uma das empresas investigadas no esquema que envolve a estatal. “É importante que o fato seja esclarecido e certamente vamos conversar e ver o que pode ser feito pelo colegiado”, afirmou.

Os e-mails da Odebrecht foram analisados por peritos da Polícia Federal durante as investigações da 14ª fase da Lava Jato, que apura a suspeita de que a empreiteira tenha efetuado pagamento de propina a ex-diretores da Petrobras em contas bancárias no exterior.

Doleiro Youssef – Em julho passado, o doleiro Aberto Youssef, principal delator preso pela operação Lava Jato, prestou depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre esquema que teria irrigado a campanha de reeleição do governador Beto Richa.

As investigações do Ministério Público Federal fizeram “conexão” com a Operação Publicano, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço policial do Ministério Público do Paraná.

O fio da meada seria o repasse de R$ 2 milhões, por auditores fiscais da Receita Estadual, à campanha tucana por meio de caixa 2. O dinheiro teria origem na cobrança de propina no órgão fazendário.

Vânia, com agências

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