Home Portal Notícias Molon e Nilmário criticam “retrocesso” proposto pela “bancada da bala”

Molon e Nilmário criticam “retrocesso” proposto pela “bancada da bala”

5 min read
0

molon2

Os deputados Alessandro Molon (PT-RJ) e Nilmário Miranda (PT-MG) criticaram, esta semana, o “retrocesso” que significa a revogação do Estatuto do Desarmamento, defendido por parlamentares financiados por fabricantes de armas, a chamada “bancada da bala”.

Os integrantes da “bancada da bala” querem aprovar um projeto de lei (PL 3722/12) de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) que regulamenta o uso das armas de fogo e, na prática, revoga o Estatuto do Desarmanento, a Lei nº 10.826 de 2003.

Molon diz que a manutenção do Estatuto do Desarmamento é uma “causa suprapartidária” e lembra que diversos secretários de segurança pública estaduais são contra a proposta. “É uma causa da sociedade brasileira, razão pela qual o secretário de Segurança Pública de São Paulo, governo do PSDB, é contra a revogação do Estatuto do Desarmamento. O secretário Beltrami, do Rio de Janeiro, governo do PMDB, é contra a revogação do Estatuto do Desarmamento. O secretário de Segurança do Espírito Santo, governo do PSB, é contra a revogação do Estatuto do Desarmamento. Ou seja, é uma causa que deve unir todos aqueles que defendem uma cultura de paz e, portanto, uma sociedade menos violenta”, mencionou o parlamentar do Rio de Janeiro.

Nilmário critica a proposição da “bancada da bala” e afirma que seus integrantes caminham no sentido contrário do que o mundo segue hoje. “Eles estão na contramão do mundo. Os Estados Unidos – que é um país para o qual os conservadores gostam sempre de mirar – está começando a discutir se deve prevalecer essa liberdade total e grande facilidade para a compra de armas, em razão da sistemática ocorrência de episódios em que pessoas comuns saem por aí matando gente sem razão aparente, como as tragédias em escolas e em outros locais públicos. Mas aqui há parlamentares que querem caminha no sentido oposto”, lamenta.

O deputado mineiro também critica o conflito de interesses existente na comissão especial do PL 3722/12. “Há diversos parlamentares dessa comissão especial que deveriam se declarar impedidos, já que receberam doações de fabricantes de armas e isso configura um sério conflito ético. Isso é um péssimo sinal que o Parlamento dá à sociedade”, ressalta Nilmário.

Na tribuna da Câmara, Molon leu a nota que o ex-presidente Lula publicou sobre o assunto. “No momento em que um grupo de Parlamentares tenta aprovar, em Brasília, um projeto revogando o Estatuto do Desarmamento, quero manifestar meu total apoio à mobilização da sociedade civil e de importantes autoridades da área de segurança pública em defesa dos inquestionáveis avanços civilizatórios trazidos por aquela lei, sancionada por mim em dezembro de 2003”, disse o ex-presidente no texto divulgado pelo Instituto Lula.

Na próxima legislatura, que terá início em fevereiro, esse tema deverá retornar à pauta da Câmara, por pressão da “bancada da bala”.

Rogério Tomaz Jr.

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

João Daniel denuncia que regularização fundiária proposta por Bolsonaro acentua injustiça agrária

A preocupação com a medida provisória (MP 910/19), editada esta semana pelo governo federa…