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Conselho Nacional de Direitos Humanos entra com representação contra Bolsonaro

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A Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Ideli Salvatti, juntamente os integrantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), protocolaram nesta quinta-feira (11), na Procuradoria Geral da República (PGR), representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O parlamentar afirmou em discurso na Câmara, terça-feira (9) passada, que só não estupraria a deputada e ex-ministra Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”.

A representação foi recebida pela vice procuradora-geral da República, Ela Wiecko, que destacou a gravidade do caso e prometeu dar agilidade ao processo. “No meu ponto de vista, há elementos muito fortes para um desfecho de ação penal. São palavras que geraram todo um movimento nas redes sociais, com uma força deletéria e perversa. Essas declarações têm uma força de incitação ao crime, principalmente ao estupro das mulheres”, afirmou a procuradora.

O deputado Vicentinho (PT-SP), líder da Bancada do PT na Câmara, é integrante do CNDH e participou de reunião nesta quinta-feira que definiu pelo encaminhamento do pedido de cassação de Bolsonaro à PGR. Na quarta-feira (10), Vicentinho também participou na Câmara de iniciativa com o mesmo objetivo. Protocolou, juntamente com outros partidos, representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa pedindo a cassação de Bolsonaro.

Foro privilegiado – Ela Wiecko explicou que apesar do foro privilegiado dos parlamentares, como as declarações também foram feitas fora do âmbito legislativo, isso abre precedente para a ação penal. “Temos o problema da inviolabilidade parlamentar, que tem tolerado muitas outras perversidades, mas aqui, no caso, essas declarações foram feitas também fora do Parlamento, e isso abre a possibilidade de darmos uma resposta do ponto de vista penal”, declarou. A procuradora se referiu à entrevista concedida por Bolsonaro ao Jornal Zero Hora, em que ele não só repete as declarações feitas em Plenário, como também afirma que “não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela é feia”.

Incitação ao crime – Para a Ministra Ideli Salvatti, além do crime de incitação à violência, as declarações do parlamentar atentam contra a dignidade de todas as mulheres. “Trata-se de declarações que inclusive fazem apologia a um crime hediondo, que é o estupro. Não foi apenas a ofensa a uma parlamentar, mas sim contra todas as mulheres, porque imaginar que alguém possa ser estuprado pela sua beleza ou não é indiscutivelmente um incentivo e quase que uma concordância com o crime de estupro. A legislação brasileira não admite estupro contra nenhuma brasileira ou brasileiro e também não pode admitir apologia”, afirmou.

A iniciativa é o primeiro ato do CNDH, que tomou posse na quarta-feira (10), durante solenidade com a presidenta Dilma Rousseff no Itamaraty. O CNDH também entrará com representação junto à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, pedindo a cassação do mandato de Bolsonaro.

PT na Câmara com SDH/PR

 

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