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Gabrielli confirma que preço de Pasadena foi “adequado” e cita lucro de US$ 62 milhões em 2014

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SergioGabriele25062014

Durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga supostas irregularidades na Petrobras, o ex-presidente da companhia Sérgio Gabrielli descontruiu nesta quarta-feira (25), mais uma vez, todos os cálculos e informações inverossímeis amplamente divulgados pela oposição e pela mídia acerca da compra da refinaria de Pasadena, no Texas, inicialmente pela Astra Oil e depois pela estatal brasileira. Gabrielli também elaborou uma detalhada linha de raciocínio para demonstrar, a partir da realidade do mercado de derivados no Brasil e nos EUA à época da compra, que o negócio firmado pela Petrobras, além de acertado para aquelas condições, foi fechado abaixo dos valores praticados naquele cenário específico.

Novamente, a CMPI serviu à tentativa da oposição de fazer o jogo midiático e tentar desmerecer as explicações de Gabrielli, que por mais de três vezes já compareceu à Câmara e ao Senado para prestar os mesmos esclarecimentos a partir da exposição exaustiva de dados e informações técnicas acerca da compra da refinaria. Desta vez não foi diferente, com o direcionamento de várias acusações ao depoente por parte de senadores e deputados do DEM e do PSDB, apesar das respostas claras e objetivas dadas por Gabrielli.

Números – O primeiro número contestado pelo ex-presidente da Petrobras foi o valor de compra da refinaria pela Astra Oil, que não foi de US$ 42,5 milhões, mas de US$ 360 milhões. Ao fazer um retrospecto, Gabrielli detalhou que a refinaria pertencia incialmente à Crown, uma empresa de refino americana, que firmou contrato com a Astra, comercializadora de derivados de petróleo nos EUA. Por meio de um contrato conhecido como tolling, em que o refinador ‘aluga’ a capacidade de refino para um produtor de petróleo e de derivados, a Astra – explicou o depoente – ocupou a refinaria, processou o petróleo que existia na refinaria e transformou esse petróleo em derivado.

“Essa operação custou à Astra US$ 84 milhões. Além desse valor, ao fim da operação, a Astra pagou à Crawn US$ 42,5 milhões. Isso significa US$ 126 milhões de pagamento. Mas além desse total, a Astra pagou ainda US$ 104 milhões por estoques e fez investimentos para transformar a refinaria em uma refinaria operacional de US$ 104 milhões. Portanto, o custo inicial da refinaria para a Astra em 2005 foi de US$ 360 milhões e não de US$ 42,5 milhões”, detalhou.

Ao prosseguir em suas explicações acerca da viabilidade do negócio à época, o ex-presidente contou que o início dos anos 2000 ficou conhecido nos Estados Unidos como a “época de ouro” do refino, quando as margens de lucro cresceram enormemente no período. Esse crescimento foi reflexo, segundo Gabrielli, de um processo anterior, ocorrido nos anos 80 e 90, quando houve a modernização dessas refinarias e o consequente ganho de capacidade para produzir derivados leves e médios, a partir de petróleo pesado.

Enquanto o mercado americano se configurava como extremamente atraente para quem pretendia entrar no ramo de refino, particularmente os produtores de petróleo pesado, como o Brasil, o mercado brasileiro se caracterizava desde a década de 90 (situação que perdurou até meados dos anos 2000) por uma estagnação na área de derivados e, paralelamente, por uma perspectiva de aumento da produção de petróleo pesado. Esse quadro brasileiro (de produção crescente com mercado de derivados estagnado) justificou – disse Gabrielli – a decisão do conselho de administração da Petrobras, no fim dos anos 90, de buscar aumentar a capacidade de refino da Petrobras no exterior. “Mercado brasileiro estagnado e mercado americano atraente. É nesse contexto que o conselho analisa a compra da refinaria de Pasadena”, contou.

Preço adequado – Depois de mostrar se tratar de uma estratégia coerente, Gabrielli falou do preço de aquisição da refinaria, que também demonstrou ser “adequado”. “O preço de aquisição de Pasadena hoje, oito anos depois, pela capacidade de refino foi de US$ 554 milhões. Isso significa que, para adquirir a capacidade de refino de 100 mil barris, a Petrobras pagou nas duas etapas da aquisição (em 2006 e 2012) US$ 5.540 por barril. Isso é um pouco mais da metade do preço médio da aquisição das refinarias americanas no período, que era em torno de US$ 9 mil a US$ 10 mil por barril”, disse. Gabrielli mostrou ainda que, apesar de todas as modificações no mercado brasileiro, Pasadena se configura hoje como lucrativa. Somente no primeiro trimestre de 2014 deu um lucro de US$ 62 milhões.

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