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Vicentinho representa Bancada do PT no adeus a Dom Tomás Balduíno

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Para “dar  o último adeus”, o líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (PT-SP), fez questão de ir até a cidade de Goiás (GO), nesta segunda-feira (5), para participar do velório de Dom Tomás Balduíno, falecido na noite da última sexta-feira (2). Milhares de pessoas passaram pela cerimônia, que teve como momento marcante uma homenagem improvisada que indígenas fizeram – entoando cantos sagrados – ao clérigo que se destacou pela luta em prol da reforma agrária e dos direitos humanos, especialmente dos segmentos mais discriminados da sociedade brasileira.

Através da sua conta no Twitter (@VicentinhoPT), o líder petista saudou o fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). “Um baluarte da Teologia da libertação. Um presente para a humanidade! Uma perda na terra, uma festa no céu! Enfrentou a ditadura militar e latifundiários. Foi ameaçado de morte.  Nunca desistiu da luta em defesa dos índios e lavradores”, registrou Vicentinho.

Segundo Vicentinho, “índios, lavradores, trabalhadores do campo e da cidade, negros, mulheres, jovens e idosos, seringueiros, pescadores, quebradeiras de coco, acampados, assentados, quilombolas, sem terra” participaram do velório. “O povo de Dom Tomás Balduíno”, descreveu o líder, que também afirmou que a atuação de Balduíno ocorria “para além dos muros da Igreja”.

Bispo emérito da cidade de Goiás, Dom Tomás teve a sua luta reconhecida e homenageada ainda em vida. Em Franco da Rocha, pequena cidade situada a 40 Km da capital paulista, um assentamento leva o nome do religioso. A “Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno” abriga 61 famílias que conquistaram a área onde vivem e trabalham a partir da militância no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com o qual Balduíno mantinha estreito vínculo praticamente desde a sua fundação, no início dos anos 1980.

Frade dominicano, Dom Tomás também teve relações de grande proximidade com os povos indígenas e aprendeu a língua de algumas etnias. Entre 1956 e 1967, viveu em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, região de intensos conflitos fundiários e próxima à área onde se deu a Guerrilha do Araguaia. Durante a ditadura, chegou a pilotar um pequeno avião tendo como passageiros militantes de esquerda que eram perseguidos pelos governos militares. Naquele período, os dominicanos apoiavam ou mesmo militavam na Ação Libertadora Nacional (ALN), principal organização de resistência armada à ditadura.

Não aceitava a concepção simplista de reforma agrária, baseada apenas na cessão da terra aos camponeses. “A reforma agrária não é só assentamento. Ela inclui a reforma agrícola, que é o acompanhamento técnico, a educação, a infraestrutura, saúde, escola, etc., e mesmo o ordenamento da área, porque há um empobrecimento total daqueles assentamentos feitos ‘a toque de caixa’. A gente não é por uma reforma agrária desse tipo. A reforma agrária, segundo a Constituição, tem condições para implantação – senão seria leviano”, disse em entrevista ao programa Roda Viva, em 2005.

O corpo de Dom Tomás Balduíno ficará depositado em uma urna no interior da Catedral de Santana, em Goiás Velho.

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Rogério Tomaz Jr.

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