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Superando o complexo de vira-lata

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16-03-10-ferro-D2

A economia brasileira, puxada pela indústria, cresceu 9% no primeiro trimestre e bate recorde na comparação anual. Foi a maior alta em 15 anos. Em ritmo chinês, o crescimento anualizado é da ordem de 11,2%. Esse é o cenário em que o Brasil do governo do PT e aliados gerou 298.041 empregos com carteira assinada em maio.

Foi o melhor resultado para o mês de maio e o quarto melhor desempenho mensal do mercado de trabalho em toda a história do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos primeiros cinco meses do ano, o número de novos empregos formais somou 1,26 milhão, mais da metade da meta de 2,5 milhões prevista para todo este ano. De janeiro de 2003 ao fim de maio de 2010 foram gerados 13.013.131 postos de trabalho.

Os efeitos deste quadro econômico sobre o dia a dia das pessoas são imediatos. Destaco um aspecto pouco divulgado do setor da construção civil, o chamado “consumo formiguinha”. Essa área passa nesse momento por uma onda de consumo voltada para a construção e reforma de casas. São 22 milhões de famílias envolvidas neste processo. É – registra um observador – como se toda a população da Argentina, do Chile do Uruguai e do Paraguai de repente resolvesse construir ou reformar suas casas. Esse processo mobilizou, nos primeiros quatro meses deste ano, 21,4 bilhões de reais. É uma fração significativa da população em marcha rumo ao bem- estar social.

Esta situação da economia lança confusão e desespero nas hostes de uma oposição pouco comprometida com a democracia, desprovida de vínculos orgânicos com as camadas mais pobres da população, e que é tradicionalmente submissa aos centros internacionais do sistema capitalista e animada por uma imprensa monopolista e carente de qualquer escrúpulo quando se trata de combater o presidente Lula e o PT.

A oposição fragilizada, sem rumo, é conduzida por manchetes negativas da mídia, demonstrando falta de competência para debater o Brasil do momento. Em vez de procurar estudar o país, elaborar propostas e organizar a sociedade para empunhar suas bandeiras, limita-se a repetir dogmas liberais amplamente desmoralizados pela crise econômica mundial, a correr atrás de factóides gerados artificialmente pela imprensa e a negar o evidente sucesso do governo do presidente Lula.

No meio da algazarra e da insensatez, às vezes alguém se lembra de dar uma olhada nas pesquisas de opinião que mostram que o presidente Lula, seu governo e o PT recebem amplo respaldo da esmagadora maioria da população. Aí pinta alguma moderação nas declarações dos líderes da oposição e até do candidato tucano. Percebe-se, no entanto, que esta moderação é seletiva, depende do público alvo.

Quando acha que está sendo ouvida por massas populares, a oposição procura poupar o presidente Lula, quando está falando para aquilo que julga ser sua base adota um tom proto-fascista, ao gosto da ínfima minoria que julga o governo do presidente Lula ruim ou péssimo. É, de fato, um momento de paranóia e desorientação geral da oposição conservadora.

Curiosamente, até o candidato José Serra, pessoa experiente, de longa e variada militância política incorre nestes desvarios. Tem hora que ele diz que não é governo nem oposição, tenta encarnar o pós-Lula. Mas em outros momentos esquece o tom civilizado e comete impropérios. Afirmou que o Mercosul é uma farsa, depois, para tentar corrigir, disse que era preciso flexibilizar a farsa. Cabe naturalmente a ele ensinar como é que se flexibiliza uma farsa. Mais adiante agrediu o governo, o Estado e o povo da Bolívia, ao dizer que este país é cúmplice do tráfico de drogas. Se se considera que o grupo criminoso PCC age com grande desenvoltura em São Paulo e que a Bolívia é apenas o terceiro maior produtor de coca na fronteira com o Brasil, seria permitido perguntar ao ex-governador José Serra se ele também é cúmplice dos crimes do PCC. Em outra ocasião, ele desqualificou instituições do Estado boliviano, como a chancelaria daquele país vizinho, ostentando um desprezo que tangencia o racismo.

Essa fúria de José Serra contra países vizinhos e aliados naturais do Brasil disfarça mal o chamado complexo de vira- lata (perro callejero, como se diz em nossos vizinhos de língua espanhola) . A oposição PSDB/DEM não se conforma com o fato de que o Brasil não pratica mais o alinhamento automático com os Estados Unidos, diversificou seus laços diplomáticos com o mundo, ajudou a enterrar o projeto neocolonial da ALCA e se transformou em ator global, presença obrigatória e marcante em todos os fóruns mundiais. Ou seja, alguém precisa avisar a José Serra que o presidente Lula encerrou a era da diplomacia dos pés descalços e inaugurou a era da diplomacia independente, altiva e propositiva, sem complexo de vira- latas, empenhada na democratização das instituições multilaterais e na construção de um mundo de paz e prosperidade.

É chocante também constatar a diferença de avaliações da imprensa mundial vis-a-vis com boa parte da mídia brasileira. O Brasil é reconhecido no exterior e aqui o governo Lula sofre um massacre de calúnias e subjornalismo. Uma situação que chega a evocar antigo colunista, que dizia “enquanto a caravana passa, os cães ladram”.

O fato é que observadores mais argutos, como o jornalista Élio Gaspari, que nada tem a ver com o PT, não podem deixar de perceber e de registrar que a tática da oposição é a tática de cavar faltas, dada a sua incapacidade técnica e tática para enfrentar um time evidentemente superior. Nesta toada, a oposição desponta para o anonimato, como diria Nelson Rodrigues.

(*) Deputado federal  Fernando Ferro (*) (PT-PE), líder da bancada do PT na Câmara Federal

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